Saiba que cuidados tomar para proteger seu filho na internet

Especialista fala sobre os riscos que as crianças correm quando estão expostas online

Foto: Pixabay

O debate sobre a existência de um vídeo incitando violência e sugerindo o suicídio reascendeu o alerta em relação ao acesso das crianças ao mundo online. Também trouxe à tona a discussão sobre os cuidados que os pais precisam ter na internet.

— Nós sabemos que o uso da internet e de todas as mídias é inevitável nos dias de hoje. Cabe aos pais fazerem algo quanto a isso. É uma vigilância ininterrupta — pontua a pedagoga Rosemere Linhares, de Florianópolis, especialista em educação infantil.

Segundo a especialista, apesar de muitas vezes parecer impossível, já que “as crianças parecem que já nascem com a habilidade de usar o celular”, é importante limitar o tempo de uso dos aparelhos eletrônicos e, principalmente, permitir o acesso apenas a partir de seis ou sete anos de idade. Mas o principal é ter paciência para ensinar os filhos a usarem as ferramentas online.

— Quando ela digita qualquer palavra, a criança tem que saber o que está buscando. Por exemplo, quando ela digita o nome de um super-herói, vão aparecer diferentes coisas sobre aquele super-herói, como um jogo ou um filme. Mas ali também podem aparecer pessoas com esse nome de super-herói, que usam esses nomes para poder chegar à criança. E nós temos, como adultos, que estar mais perto deles para ensinar como fazer essas buscas.

Além de ter o papel de ensinar, os pais precisam fortalecer o diálogo com a criança e criar uma relação de confiança.

— A gente não pode estar com eles 24 horas. Então precisamos fazer “combinados” com os filhos, limitando os acessos e confiando que eles respeites. Mas também é preciso ter certeza que estão sendo cumpridos, então sempre que possível vale conferir o que a criança pesquisou na internet e com que está conversando. E tem que ser um jogo aberto, uma conversa clara, franca: “eu não estou vigiando você. É um cuidado especial que tenho contigo, porque amo demais você”. Não é cerceamento da liberdade do filho, muito pelo contrário. Se tem coisas que não podem ser mostradas para o pai, muito provavelmente é porque não são coisas corretas de se fazer, né?

Um mundo digital

Apesar dos riscos, é preciso ter cuidado para não “demonizar” a internet e gerar sensação de medo nos filhos. Segundo a especialista, a internet tem muitos benefícios.

— A disseminação de novos conhecimentos, ajuda na pesquisa escolar, na leitura de notícias, visualização do mundo, ajuda nesse processo de formação. E o mundo inteiro é digital.

Ainda assim, a questão de limite é reforçada pela pedagoga, evitando problemas psicológicos e até mesmo no desenvolvimento da criança.

— É preciso ter cuidado e evitar situações que implicam em afastamento social. Já existem estudos que afirmam que o uso da internet é um vício, muito parecido com das drogas, com efeitos de abstinência, eles suam frio, ficam nervosos, boca seca, ansiedade. E a criança apresenta sinais de que está com esse problema, com insônia, impulsividade, sentem dificuldade de relações pessoais mais próximas… Isso acaba interferindo no processo de alfabetização, causam problemas auditivos e visuais, de postura que prejudica também o desenvolvimento do corpo da criança — conclui Rosemere.

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