Salas de cinema têm sessões adaptadas para mães com bebês em Santa Catarina

Com iluminação ambientada e fraldário, o CineMaterna é o maior projeto para mulheres no puerpério no Brasil

Fotos: Leo Munhoz

Poliane Folador chegou apreensiva na fila de espera da entrada do cinema. Com o Francisco, de sete meses, no carrinho de bebê, a servidora pública participava pela primeira vez do projeto CineMaterna em um dos cinemas da Grande Florianópolis.

— Não sei como vai ser a reação dele na sala do cinema, se vai chorar ou querer sair dali.

Mas é justamente para essas situações imprevisíveis que a sessão foi preparada, com iluminação ambientada e fraldário disponível para trocar as crianças em qualquer emergência, que a Giovana, de três meses, fez questão de conhecer já na sua primeira visita e antes mesmo do filme começar.

— Ela chegou e vomitou. Acho que se assustou com o tamanho da tela (risos) — comentou a mãe, Patrícia Dutra Cezar.

Patrícia precisou trocar a roupa da Giovana antes mesmo do filme começar

Entre risadas e choros em coro, as mães podem assistir ao filme e sair de casa no período de puerpério. A ação, segundo a coordenadora do CineMaterna de Florianópolis, é a maior do Brasil e, entre tantos benefícios, tem como objetivo promover o reconhecimento e a troca de experiências.

— Muitas vezes a mãe fica sozinha em casa nesse período pós-parto e não sabe se o que está passando é normal ou se é só com ela. Aqui ela vai olhar para o lado e ver outras mães com as mesmas dificuldades e saber que ela não está sozinha — afirma a coordenadora Carol Rutz.

VÍDEO: Veja o relato de Fernanda Zanotelli sobre a experiência

Necessidade de socializar

Outro destaque apontado por Carol Rutz é a necessidade das mães em se reintegrarem socialmente depois desse período de isolamento e, com o projeto, permitir a ida ao cinema para assistir os filmes que estão em cartaz.

— É permitida a entrada de bebês até 18 meses e, nesse período, eles não se apropriam do que está na tela. Não precisamos ter essa preocupação de cuidar do que está passando, se tem cena de sexo ou violência. O filme é para a mãe.

Para a terapeuta Telma Lenzi, a cultura brasileira precisa incentivar esse espaço de socialização e permitir a presença das mães.

— A nossa cultura precisava estar um pouco mais inserida nessas questões. Ainda tem aquela polêmica da mulher que amamenta em público e coloca o seio para fora para amamentar. Há uma certa estranheza e pressão, ao mesmo tempo que tem uma campanha intensa de amamentação. Então a cultura precisa estar um pouco mais participativa. Precisa ter cadeias de amamentação, sessões de cinema onde as mães podem amamentar com calma. Que isso sirva de exemplo para que nossa cultura e espaços públicos estejam atentos para essa participação.

No cinema

Para a sessão do CineMaterna, o filme é escolhido pelas próprias mães, em uma votação online no site do projeto na semana que antecede a exibição do projeto. Três cinemas na Grande Florianópolis disponibilizam salas uma vez por mês: Floripa Shopping e Iguatemi, na Capital, e Continente Shopping, em São José.

— O shopping é muito parceiro dessa iniciativa e oferece suporte para a atividade. Aqui no Floripa Shopping, por exemplo, fornecemos o estacionamento para as cinco primeiras mães que chegarem — comenta a gerente de marketing do estabelecimento, Pri Toniollo.

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