Sandro Clemes: a presença e a ausência de luz têm efeitos dramático-visuais opostos e complementares no design e decoração

Marcelo Salum - foto Mariana Boro

Espuma do mar: lirismo fresh do branco em projeto de Marcelo Salum – Foto Mariana Boro, divulgação

Branco e preto: falar sobre essas cores e usos no design, na decoração e na arquitetura é falar, primeiro, sobre a luz. A explosão luminosa do dia, o breu da noite. Se o branco faz borrar os limites dos corpos, como que expandindo sua massa, o preto parece contrair o volume das coisas e dos espaços, acentuando seus contornos. A presença e a ausência de luz têm efeitos dramático-visuais opostos e complementares, mas igualmente potentes. Revelar e esconder, ampliar e reduzir são propriedades desse contraste.

Brincando com a luz

— Espaços que recebem intensa luz natural são os melhores para o uso dos brancos. Vale para paredes, piso e teto e para a decoração.
— Se não há luz do dia, torne isso um mote para o uso do preto num ambiente introspectivo. A cor vai criar um território de limites sensoriais expandidos.
— Explore diferentes tons de branco e preto. Dos mais puros, como a neve e o piche, aos mais quentes, como o marfim e o ébano.
— Use texturas diversas em revestimentos e superfícies e valorize volumes.
— Ao adotar mobiliário com formas curvas e fluidas, você pode atribuir movimento ao espaço monocromático.

Corpos luminosos

De Coco Chanel a Ann Demeulemeester, de Yamamoto a Iarocheski, os criadores de moda exploram o poder insofismável dos pretos e brancos há muitas décadas. Porque todo mundo fica bem em P&B. Os móveis e os ambientes também.

Branco e preto

Presente nas teclas dos pianos, nas imagens mais icônicas da fotografia e em padronagens clássicas de alfaiataria, a combinação de branco e preto é, sem dúvidas, atemporal. Capaz de exprimir o valor do essencial modernista do pós-guerra, esse duo cromático batizou uma loja de mobiliário autoral, inaugurada em 1952, em São Paulo: o Estúdio Branco & Preto. Pioneira no Brasil, a loja foi criada por um grupo de jovens arquitetos que propunham novos olhares sobre o morar, através de móveis de linhas puras, executados com matérias-primas nacionais e coerentes com o nosso clima.

Black is the color…”: minimalismo fluido no projeto de Haus Engenho Arquitetura – Foto Mariana Boro, divulgação

Leia mais posts de Sandro Clemes