Sandro Clemes: Painel em homenagem a Franklin Cascaes desperta um novo sentido de urbanidade e de pertencimento aos que vivem o Centro de Florianópolis

painel Franklin Cascaes - foto Érico Marmiroli, divulgação

Painel Franklin Cascaes – foto Érico Marmiroli, divulgação

O cartaz do coletivo Atelier Populaire produzido para as manifestações das classes trabalhadoras em maio de 1968 na França sentencia: “a beleza está na rua”. Beleza aqui entendida não apenas como a harmonia de formas, mas como a força movente de uma expressão da vontade subjetiva, do desejo por igualdade de direitos e respeito a liberdades individuais.

A cidade é uma extensão de nossa casa que compartilhamos com todos e que nos impele a conviver com o incontrolável, o perturbador, o deslumbrante, o banal. A cidade contém marcas de nossa identidade. E através da apropriação de seus espaços podemos expandir os limites de nossa percepção, do que somos. O que a cidade oferece a nossos olhares míopes atesta que a vida é desafiadora e imperfeita, mas que também pode ser bela.

O painel vertical realizado por um grupo de artistas urbanos no centro de Florianópolis homenageia o escritor e pesquisador Franklin Cascaes. O pioneirismo desse tipo de expressão em escala monumental na cidade desperta um novo sentido de urbanidade e de pertencimento aos que vivem o Centro.

A obra fica entre as ruas Vidal Ramos e Tenente Silveira e tem 34 metros de altura por 12 metros de largura. Em 2017, Franklin Cascaes teria completado 109 anos.

Quem foi Franklin Cascaes

Franklin Joaquim Cascaes foi um ícone da arte catarinense. Nascido na praia do Itaguaçu, em Florianópolis, começou suas obras rabiscando desenhos em carvão e moldando animais em miniatura em cerâmica. Sua curiosidade pela história das bruxas se tornou marca registrada dos seus trabalhos.

Em esculturas e desenhos, registrou tradições populares e lendas da Ilha de Santa Catarina. Seu acervo pode ser visitado no Museu Universitário Professor Oswaldo Rodrigues Cabral, da UFSC, numa coleção que leva o nome de sua esposa, a Professora Elizabeth Pavan Cascaes. O artista morreu no dia 15 de março de 1983.

Flanar

Vinculamos a capacidade de nos movermos no perímetro urbano à disponibilidade de meios de transporte – privados ou públicos – e de vias que os conduzam ao pretendido destino. Negligenciamos, muitas vezes, o modo de deslocamento mais simples e libertário que existe: caminhar. Explorar a cidade a pé é apropriar-se de territórios amplos, é observar a vida que passa, é contemplar e interagir com feitos da arquitetura ao nosso redor. Adotar novos percursos para atingir o mesmo objetivo, dar meia-volta e retroceder… Essas ações típicas das andanças cotidianas nos ajudam a decifrar códigos, afecções e belezas dessa casa tão grande e complexa.

Em sentido horário: cartaz do Atelier Populaire e os olhares atentos nos registros de Fernanda Volkerling e Bruno Ropelato – Foto Érico Marmiroli, divulgação

Agenda

11a Bienal de Arquitetura de São Paulo Imaginário da Cidade
Até 28 de janeiro de 2018
No Sesc Dom Pedro II, em São Paulo – SP

 

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