SC recebe Copa Sul Gay de Futebol, evento que levanta a bandeira do esporte sem preconceito

Mais do que um evento esportivo, o campeonato é também um momento de reunir pessoas de todas as idades e que encontram na competição um apoio na luta contra o preconceito

Fotos: Arquivo Pessoal

No dia 9 de fevereiro, Santa Catarina recebe a terceira edição da Copa Sul Gay de Futebol, dessa vez incluindo a luta das mulheres com o futebol feminino num campeonato paralelo, a 1ª Copa Sul Feminina, e também acrescentando a 1ª Copa Sul Gay de Vôlei.

Mais do que um evento esportivo, que reúne mais de 600 atletas, em 10 times masculinos, 10 times femininos e 16 times de vôlei, o campeonato é também um momento de reunir pessoas de todas as idades — atletas de 18 até 70 anos — e que encontram na competição um apoio na luta contra o preconceito.

O evento é organizado pela equipe poliesportiva Sereyos, que representa Santa Catarina em competições nacionais e internacionais com futebol masculino e feminino, voleibol, corrida, programa fit e handball. A idealização da equipe foi do arquiteto Eddie Prim, que durante a infância enfrentou dificuldades devido a sua orientação sexual.

— Eu sempre tive aquela mágoa de infância, do preconceito. Aquela coisa de sempre ser o último a ser escolhido para o time na educação física. Aquelas coisas traumáticas de criança — relata Eddie, que em 2017 montou o time Sereyos Futebol Clube, já com o propósito de participar de um torneio nacional.

— Montamos o time e em um mês e meio estávamos no Rio de Janeiro para participar do campeonato nacional. Ficamos em penúltimo lugar, mas voltamos com o desafio de melhorar nossa performance. Logo contratamos uma técnica e surgiu a ideia de fazer a 1ª Copa Sul aqui em Florianópolis, que foi um sucesso — conta Eddie.

Atualmente, a equipe é considerada a terceira melhor do Brasil. Embora o espírito competitivo seja bem forte nos campeonatos, Eddie reforçar a importância do trabalho social desenvolvido fora das quatro linhas.

— É muito difícil para nós, gays, entrarmos no futebol. E, para as mulheres, é tão difícil quanto. Não existe apoio, o machismo ainda é muito grande. Por esse motivo, também chamamos elas para nossa luta, porque querendo ou não é um movimento. Independentemente do campeonato, estamos todos ali em busca de um ideal. Em busca de um espaço que também é nosso — destaca o organizador.

O apoio psicológico vem do próprio time. Um dos atletas da equipe masculina tem formação em psicologia e, quando necessário, orienta e faz o atendimento.

— Temos muitos casos de depressão, mas percebemos que em quase 90% deles já é sanado só pelo fato de integrarem o time. Eles encontram na equipe o que falta na família, um suporte e um respiro para a vida que as vezes é muito sofrida — finaliza Eddie.

Programação

O evento contará com shows, DJs, futebol drag show, futebol de bolha, gaymada (tradicional queimada), gaymada com balões d’água, apresentações de drag queens, escola de samba, praça de foodtrucks, lounge, festas noturnas em parceria com casas de Floripa e uma day party à beira-mar para encerrar o evento.

Copa Sul Gay de Futebol e Copa Sul Feminina de Futebol
Onde: Arena São José
Quando: 9 de fevereiro
Horário: A partir das 11h30min
Entrada: 1kg de alimento não perecível ou brinquedo.

Copa Sul Gay de Voleibol
Onde: Sesc Prainha
Quando: 23 e 24 de fevereiro
Horário: 8h até 22h
Entrada: 1kg de alimento não perecível ou brinquedo.

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