Aos 78 anos, moradora de Floripa faz sucesso com looks no Instagram

O estilo inconfundível de Izaura faz com que, em viagens, ela seja parada nas ruas por pessoas curiosas. Nas redes sociais, tanta roupa e acessórios diferentes chamam atenção

Izaura esbanja estilo (Foto: Diorgenes Pandini)

Diferentes modelos de chapéus, óculos de sol exóticos, roupas estampadas, um inconfundível sorriso, paisagens ao fundo ou deliciosos pratos de comida sobre a mesa. Essa é a fórmula básica de fotos de sucesso nas redes sociais. Já nos acostumamos a ver jovens influenciadores digitais seguirem à risca esse esquema. Como, então, fazer disso um diferencial? Se a “modelo” das fotos for uma senhora simpática de 78 anos, temos aí alguém bem diferente para seguir.

Assim é Izaura Demari. Natural de Londrina, ela mora com o filho Márcio, 50, em Floripa há quatro meses. Izaura sempre teve como hobby as flores — era uma fã incondicional de orquídeas. Mas depois que ficou viúva, há mais de uma década, percebeu que precisaria expandir seus horizontes para manter-se ativa. Ao lado dos filhos e netos, começou a viajar.

— Depois que meu pai faleceu, ela começou a viajar muito comigo e o neto, e sempre chamava muita atenção. Há um ano, comecei a publicar fotos dela no Instagram [@voizaurademari]. O hobby dela agora é mais esse — conta Márcio.

O estilo inconfundível de Izaura faz com que, nessas viagens, ela seja parada nas ruas por pessoas curiosas. Nas redes sociais, tanta roupa e acessórios diferentes chamam atenção.

— É tudo dela mesmo. São peças que a gente adquiriu em viagem — afirma o filho.

No começo, as fotos de Izaura eram divulgadas em grupos fechados sobre viagem nas redes sociais. Rapidamente, passaram a ser divulgadas em comunidades de mulheres que viajam sozinhas, e ganharam ainda mais visibilidade. Assim, em um ano, Izaura conquistou mais de 11 mil seguidores no Instagram. As fotos passam de 1 mil curtidas. Quanto mais extravagante o look, melhor.

— O retorno é fenomenal — comemora Márcio.

Izaura fala pouco em entrevista por telefone, mas mostra-se bastante ativa nas atitudes. Todos os dias, faz duas horas de caminhada. Gosta de circular pela cidade, pelos shoppings, pelos cafés, e é reconhecida por onde passa. A mudança para Floripa é resultado do estilo de vida da idosa.

— Estou adorando morar aqui — garante Izaura.

 

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“A alegria evita mil males e prolonga a vida.” William Shakespeare Beijocas de Florianópolis! #modafeminina #Moda #floripa #Florianópolis #blogueira #influencer

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Ela guarda na memória a viagem de que mais gostou:

— Foi o Chile. As adegas, os vinhedos. E também as igrejas antigas — afirma Izaura.

— Tenho vontade de voltar lá — completa a idosa. Quem não teria?

Outro destino corriqueiro dela e do filho é Gramado, na Serra gaúcha. Deve ser para lá a próxima viagem da família.

Além de parceiro nas trips, Márcio auxilia a mãe na escolha dos looks e publica as fotos no Instagram. Ela acompanha tudo de perto, interage e comemora os retornos positivos. Izaura sempre foi ativa, mas com as redes sociais, fica ainda mais motivada a aproveitar a vida e compartilhar.

Idosos nas redes sociais

Treinar as pessoas mais velhas para usarem as mídias sociais melhora a capacidade cognitiva, aumenta a sensação de autocompetência e pode ter um grande impacto positivo sobre a saúde mental e o bem-estar da terceira idade. É o que diz um estudo da Universidade de Exeter, no Reino Unido.

A pesquisa foi realizada com um grupo de idosos. Eles tiveram acesso a um computador com conexão banda larga e alguns foram formados sobre como usar os equipamentos. Aqueles que receberam o treinamento passaram, ao longo do tempo, a buscar informações sobre como usar o Skype e criar um e-mail.

No projeto intitulado Ages 2.0, os idosos foram avaliados em relação ao uso da internet e das mídias sociais. Os pesquisadores perceberam que, aqueles que aprenderam a usar esses meios, tinham um envelhecimento mais ativo e isolaram-se cada vez menos.

Os idosos também relataram se sentirem mais competentes, com mais vontade de se envolver em atividades sociais, passaram a ter um forte senso de identidade social e apresentaram melhor capacidade cognitiva. A pesquisa contou com 76 participantes com idades entre 60 e 95 anos.

Os surfistas prateados

Outra pesquisa, esta da Universidade da Califórnia, com pessoas com idades entre 55 e 78 anos, revelou que depois da experiência do primeiro contato com o computador, eles mostraram, em ressonância magnética, maior atividade nas áreas da linguagem, leitura, memória e capacidade visual. Submetidos a uma segunda ressonância após duas semanas, os pesquisadores perceberam que além da região já movimentada com o primeiro contato do computador, agora a região frontal do cérebro também havia sido ativada: região esta que controla a memória e a tomada de decisões.

Antenados aos benefícios do uso da internet, o European Interactive Association (EIAA) chegou a elaborar um termo para denominar a legião de navegadores que passaram dos 60 anos: são os silver surfers, algo como “surfistas prateados”, em referência aos brancos dos cabelos.

Essas e outras descobertas já foram relatadas no livro Terceira idade e Informática – Aprender Revelando Potencialidades, da psicóloga e pedagoga Vitória Kachar. Um desdobramento da tese de doutorado da autora, a obra “resgata o potencial intelectual de pessoas da terceira idade, mostrando como a informática pode criar condições para que elas se desvelem para a vida em vez de ficarem reclusas em seus mundos de memórias e do passado”, conforme o orientador do trabalho, José Armando Valente, no prefácio do livro. Vitória explica que são diversos os motivos que levam essas pessoas a superar o medo da máquina para dominar a tecnologia. Entretenimento, o desejo de manter-se atualizado e a maior interação com os “brinquedos eletrônicos” dos netos são alguns deles.

Os benefícios da internet para os idosos

  • Melhora na memória e capacidade de raciocínio.
  • Ajuda a adiar o aparecimento de demências.
  • Ficar por dentro de notícias com facilidade.
  • Manter e ampliar círculo de contatos.
  • Oportunidade de educação continuada e a distância e estimulação mental.
  • Incentivo à procura de assuntos sobre o envelhecimento, com a ativação da curiosidade intelectual e do vínculo afetivo com atividades de pesquisa.

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