Será o laser o botox da vagina?

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Você já ouviu falar de laser vaginal? Se está acompanhando quinzenalmente a minha coluna, certamente sim. Esse tema já passou por aqui. Na verdade, é uma tecnologia relativamente nova veja bem, em Medicina o novo pode não parecer tão novo assim, e o que vale mesmo é o tempo dos primeiros estudos científicos mostrando a utilização da tecnologia. Alguns datam dez ou doze anos atrás, e a avalanche de publicações veio mesmo nos últimos cinco anos.

Eu resolvi abordar de novo para que possamos criar um senso mais crítico das notícias e informações de redes sociais. Isso porque muitas vezes a propaganda parece perfeita e o problema se resolve por completo. Mas não é bem assim.

O primeiro passo é saber se você tem realmente indicação do uso. A grande maioria das indicações envolve mulheres ou na menopausa ou perto dela, na chamada perimenopausa. A atrofia vaginal causada pela redução hormonal dessa fase resulta em tecidos vaginais mais finos, mais secos, menos elásticos e mais frágeis. As consequências disso podem ser dor na relação sexual, dor para fazer xixi, incontinência urinária, infecção urinária de repetição, infecção vaginal, aumento da frequência urinária.

Foi tentando melhorar a mucosa vaginal e mudar essa sintomatologia muitas vezes limitante que o laser vaginal surgiu. Até então tínhamos como recursos apenas os cremes hormonais, com o inconveniente do modo de usar. E, para as queixas exclusivamente sexuais, o bom e velho lubrificante. Porém, as respostas eram muito aquém do desejado. Fora isso, algumas pacientes têm contra indicação ao uso de hormônios, como as que tiveram câncer de mama, por exemplo.

A expectativa de vida mudou, a vida sexual da mulher se tornou mais ativa e os recursos escassos para cobrir essa necessidade. E foi pensando nisso que a medicina buscou no laser essa melhora. Os estudos são convincentes na melhora da atrofia vaginal, um pouco menos quando se fala em incontinência urinária. Por isso, é necessário uma boa conversa e um bom exame físico.

Quando for apostar em novas tecnologias, procure um especialista que entenda muito do assunto, alguém que estude e siga estudando porque tudo muda numa velocidade enlouquecedora na Medicina.

Na minha experiência de consultório, as mulheres submetidas a essa tecnologia ficam muito satisfeitas. Não parece haver nenhuma superioridade entre os tipos de laser, a maioria dos estudos vê resposta em uma sessão, mas quase todos utilizam um protocolo de três sessões com manutenção a cada 6 meses ou 1 ano. Os efeitos adversos a curto prazo são pouquíssimos, se restringindo basicamente a dor e sangramento, ainda que relatados por pouquíssimas mulheres.

O tempo da sessão dura em média 45 minutos, não é necessário anestesia geral, às vezes uma tópica pode ajudar as pessoas que são mais sensíveis a dor. O retorno à atividade sexual é em aproximadamente 7 a 10 dias, e os sintomas já diminuem muito após a primeira sessão alcançando uma melhora qualitativa após a terceira com um upgrade no clareamento da região perineal.

O creme vaginal hormonal pode ser usado concomitante com esse tratamento e parece melhorar ainda mais a queixa da mulher. As sessões podem ser mensais ou mais que 30 dias. Os exames ginecológicos devem estar em dia para sua realização.

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Dra. Luisa Aguiar
Luísa Aguiar da Silva Especialista em Ginecologia e Obstetrícia pela AMB Especialista em Uroginecologia pela Unifesp Professora da disciplina Materno Infantil da Universidade do Sul de Santa Catarina Proprietária junto com a Dra Raquel Aguiar – minha mãe – da Clínica Urogine