Seu filho não quer provar novos alimentos? Veja dicas que podem ajudar no processo

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Uma queixa bastante comum dos pais é a inapetência ou a falta de interesse das crianças em relação a alimentos saudáveis como frutas, vegetais e preparações feitas em casa.

Normalmente, o relato é que as crianças querem apenas comer bolachas, pão, chocolates; que aceitam apenas frutas como maçã, banana; e comidas como arroz, feijão, macarrão e carnes.

No desespero para que os filhos se alimentem, grande parte das famílias caem no hábito de oferecer apenas aqueles alimentos que o seu filho gosta, já que o principal intuito é que comam tudo o que está no prato. Em alguns casos, os pais só desejam que comam alguma coisa, apelando até para achocolatados, iogurtes saborizados, lanches e salgadinhos – até mesmo na hora do almoço. Dessa forma, acabam reduzindo cada vez mais a aceitação da criança por novos alimentos.

O que muitos pais não sabem é que ao reduzir o repertório de alimentos e oferecer apenas aquele macarrão com carne, aquela maçã e arroz com feijão todo santo dia (ou até mesmo alimentos industrializados), deixa-se de estimular sensorialmente as crianças. Quando deixa-se de colocar alimentos diferentes e coloridos no campo de visão, olfato, tato e paladar, aos poucos, se retira os alimentos da memória gustativa e emocional da criança, fazendo com que elas não reconheçam mais os alimentos. A consequência é a chamada neofobia alimentar.

Quando a criança começa a recusar até aqueles poucos alimentos que gostava (e dos quais provavelmente foi enjoando), começa uma guerra com os filhos na hora de comer, começam as brigas, chantagens, obrigando a criança a comer pelo menos mais uma colherada, dando castigos por não ter comido tudo, até mesmo elevando a voz (sim, sabemos que ninguém quer chegar a esse ponto, sabemos que nós como pais sofremos até mais do que as crianças).

A questão é que, agindo assim, só estamos criando uma má relação com a comida. Provavelmente isso só irá aumentar a recusa alimentar e uma rejeição de determinados alimentos pelo resto da vida (quem aqui não “odeia” algum alimento porque foi forçado a comer quando criança?).

O que fazer então nesses casos?

Ponto 1: Dar o exemplo! Nós não podemos querer que os nossos filhos se interessem por comer frutas e vegetais e preparações saudáveis se passamos a semana comendo bolachas, pães e lanches na frente deles. Se nós não tivermos o hábito de comer frutas e vegetais, e se não demonstrarmos prazer ao comer esses alimentos, provavelmente, eles também não irão se interessar.

Ponto 2: Ter no armário da cozinha apenas alimentos que você gostaria que seu filho comesse. Não adianta você querer apresentar alimentos saudáveis para o seu filho tendo um armário repleto de achocolatado, chocolates, bolachas e salgadinhos. O sabor hiperpalatável dos alimentos ultraprocessados sempre irá vencer o dos alimentos frescos e naturais. Isso acontece porque a indústria produz alimentos cheios de açúcar e sódio, justamente para que as pessoas queiram comer mais e mais desses produtos.

Ponto 3: Preocupe-se mais com a qualidade da alimentação da sua família e menos com a quantidade. O corpo das crianças será capaz de autorregular a sua própria saciedade, mas eles não têm a capacidade de escolher os alimentos pelo seu nível de “saúde”, eles sempre irão escolher alimentos mais açucarados ou fritos caso eles estejam disponíveis na rotina.

Ponto 4: Crie uma relação positiva com a comida. Sente-se com seus filhos para descascar e comer uma fruta. Leve-os para um sítio ou para a feira e escolham juntos os alimentos e ingredientes para fazerem uma receita juntos. Inclua seus pequenos na cozinha. Tudo isso despertará o interesse por novos alimentos, e muito mais que isso, gerará emoções positivas e afetivas em relação à comida.

Sempre há tempo de mudar, e só conseguimos mudar os hábitos com constância, leveza, afeto e exemplo!

 

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