Sicília: a terra dos limões, do pistachio e do vinho

Fotos: Arquivo Pessoal

Chegamos de cruzeiro a um pedacinho da Itália que nos faltava visitar, a famosa e bela Sicília, que tem como atração principal os produtos locais que são cultivados e produzidos ao redor do vulcão Etna.

​Em nossa visita, chegamos pela cidade de Catania, um belo local com inúmeros restaurantes e diversas atrações, como uma gigantesca feira que vende desde frutas e roupas, até antiguidades.

Para alguns a Sicília lembra limões, para nós, os fantásticos vinhos de solo vulcânicos do Etna.

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PictureO mercado de Catania é parada quase que obrigatória aos turistas que querem provar diferentes tipos de pistachios locais e conferir a variedade de peixes e frutos do mar oferecidos (muitos ainda vivos).

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A cidade oferece ainda surpresas durante o passeio, como diversas ruínas que abrem verdadeiros buracos nas ruas, exibindo até um teatro romano.

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Se você gosta de limão, não pode deixar de provar o limoncello siciliano, uma espécie de licor, forte e doce, equilibrado pela acidez do limão.

E se o seu sabor preferido de sorvete for pistachio, estará no paraíso. O sorvete de pistachio siciliano não é muito doce e chega a ter toques salgados. Uma maravilha!

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E que tal um canelê de creme de pistachio?

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Pistachio está presente em quase todos os pratos. No restaurante que paramos para almoçar e fazer uma degustação de vinhos, chamado DOC, provamos bruschetta de mortadela de Bologna com pistachio.

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Tartar de atum com pistachio:

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E pasta com pesto de pistachio:

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O pistachio é tão importante para Sicília que conta com denominação de origem controlada. Se você gostar dos pratos, ainda pode levar pasta e pesto para casa.

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PictureVinhos

Uma das mais antigas regiões produtoras de vinhos da Europa, ainda oferece algumas surpresas prazerosas. Os vinhos da Sicília não variam muito de safra a safra, pois lá o verão é sempre úmido e com praticamente zero chuva de junho a começo de setembro, o que cria um padrão que se repete ano após ano.

Apesar do vinho mais famoso da Sicília ser o Marsala — lançado em 1773, por John Woodhouse —, um “irmão” do vinho do Porto, Madeira e Sherry, por ser fortificado, e que colocou Sicília no mapa dos vinhos, o tempo o levou a ser um vinho de cozinha. Com isso, Sicília abriu espaço ao vinho mais apreciado da região, os produzidos com uvas cultivadas aos pés do vulcão Etna.

Sicília possui 23 DOC, com destaque a Sicília DOC, Marsala DOC e Etna DOC. Com seu solo e microclima, a região do Etna é considerada a Borgogna do Mediterrâneo. Existem três uvas tintas consideradas chaves em Sicília, são elas:

  • Nero d`Avola: a uva mais plantada e mais celebrada em Sicília. Muitas vezes comparada a Syrah, leves a médios taninos, media estrutura e muita cor e sabor.
  • Frappato: geralmente usada em blends, com um perfume floral.
  • Nerello Mascalese: esta é a uva dominante na região de Etna e geralmente usada em blend com a Nerello Cappuccio, uma uva rústica e com característica de pimenta. Os blends do DOC devem conter no mínimo 80% Nerello Mascalese e máximo 20% Nerello cappuccio. Mascalese é comparada ao Pinot Noir de Burgundy e ao Nebbiolo de Barolo, pela sua capacidade de expressar o terroir de onde é plantada.

Para os brancos, Catarratto é a mais plantada, sendo usada com Grillo e Inzolia, outras duas uvas comuns usadas na fabricação do Marsala. Na região do Etna, Carricante é a mais plantada, gerando um vinho comumente chamado de Etna Bianco, sendo seco e de corpo médio.

Os restaurantes possuem garrafas especiais a venda e usam o Coravin para servi-las aos seus clientes, como foi o caso de um vinho que usa somente vinhas sem enxerto, e são datadas em Pre-Phylloxera. Isso mesmo, enquanto a maioria dos vinhedos da Europa foram afetados pela Phyllozera, alguns preciosos exemplares não. Vinhas que resistiram ao tempo e as pragas e que hoje produzem uvas para poucas garrafas de vinho, gerando os vinhos Etna Rosso Prephylloxera. A maioria destes vinhedos estão localizados a 600-1000 metros de altitude.

Provamos o Tenute Delle Terre Nere, 100% Nerello Mascalese. Marco de Grazia, dono da vinícola, ficou famoso ao introduzir estes vinhos ao mundo no ano de 2006. Os vinhedos para este vinho datam em 130 a 140 anos de idade.

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Grazia conta que o fato mais interessante, não é o de que estes vinhedos tenham resistido apenas a Phylloxera, mas, sim por terem passado por duas guerras mundiais.

Degustamos ainda dois excelentes espumantes, Brut, método clássico, da vinícola Saxanigra, feitos com a tinta Nerello Mascalese.

PictureEtna Bianco, para acompanhar atum grelhado ao aceto balsâmico.

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Uma marca que produz excelentes vinhos é a Maria Costanza. Degustamos um blend de Inzolia e Chardonnay. Inzolia tem boa mineralidade, floral e herbácea.

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Por indicação da dona do restaurante, fomos de Maria Costanza 100% Nerello Mascalese, um espetáculo que expressa bem o terroir local.

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Se você achar interessante e tiver tempo, existem tours disponíveis em sites como Viator, que oferecem saída das cidades de Catania e Taormina, fazendo visitas a 3 vinícolas e oferecendo almoço com pratos locais.

Se for visitar a Itália, guarde um tempinho para Sicília, pois não irá se arrepender.

Saluti!

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