Artista Silvana Macêdo propõe conversa sobre arte e ciência em “Intraduzível”

Experiência provocadora tenta desmitificar a construção cultural em torno da arte e da ciência

Foto: Endrigo Righeto Div/Divulgação

Em videoinstalações que apontam o contraste de paisagens distintas, como o equatorial Brasil e a gélida Finlândia, ou nas inter-relações entre arte e observação científica, a mostra Intraduzível, de Silvana Macêdo, convida a olhar por outros meios, através de uma lupa entomológica ou pelo microscópio, obras que deixam o espectador imersivo entre sonoridades e imagens projetadas no espaço. Nesta quarta-feira (22), às 19h, a artista conduz uma visita mediada em torno da mostra, que fica aberta até 9 de setembro, no Museu da Imagem e do Som (MIS), em Florianópolis. Aberto, o evento é voltado a pessoas e grupos interessados em artes visuais, cinema, música, na relação da arte com a ecologia e defesa do meio ambiente.

Com carreira iniciada nos anos 1990, Silvana Macêdo adota diferentes linguagens e técnicas artísticas. Cria pinturas, gravuras, fotografias, instalações. Em Intraduzível, que tem curadoria de Juliana Crispe, a artista apresenta trabalhos inéditos no Brasil pensados em colaboração com a artista finlandesa Henna Asikainen, o compositor Frederico Macêdo e o astrofísico iraniano Reza Tavakol.

A exposição celebra os 20 anos de parceria artística entre Silvana e Henna e configura uma mistura de biografias e paisagens de países muito distintos, a Finlândia e o Brasil. A mostra também tem caráter retrospectivo. Ela permite conhecer trabalhos realizados no Reino Unido, onde Silvana estudou na Northumbria University, em Newcastle.

Foto: Endrigo Righeto Div/Divulgação

Os trabalhos

Um dos elementos centrais dessas obras é a noção de tradução. Os trabalhos que compõem a mostra são uma série de fotografias e as videoinstalações lab (2017), ar (2001-3), lua (2005-7), a videoinstalação sonora cooperari (2007), instalação trabalho de campo (2017) e segredo (1998).

As videoinstalações estão interligadas ao trabalho “tradutório” de cientistas e artistas – ar, por exemplo, foi realizada a partir de duas residências artísticas na Finlândia, no Parque Nacional de Koli, e no Brasil, na Reserva Ducke, estação de pesquisa do INPA (Instituto Nacional de Pesquisas Amazônicas), em diálogo com investigações de pesquisadores de mudança climática nos hemisférios Norte e Sul. A experiência nas residências está refletida também em trabalho de campo. Já lua originou do encontro com o cosmólogo Reza Tavakol em 2004. A obra reflete os modos como a humanidade se relaciona com a natureza, que se volta para contemplação estética e romantiza sua relação com o mundo, ao mesmo tempo que atua constantemente como agente poluidor do ambiente.

Construído em colaboração com o compositor Frederico Macêdo, cooperari foca em insetos sociais e oferece um campo para se estudar como contextos culturais interferem na maneira como interpretamos o comportamento animal. Há ainda a presença dos invertebrados em segredo, que só pode ser percebida através de uma lente convexa, que revela o espaço miniaturizado de uma sala contendo diferentes espécies: formigas, borboletas, vespas, abelhas, mariposas, etc. Quanto mais se aproxima o olhar, menos é possível de se ver com precisão os animais da inacessível coleção.

Foto: Endrigo Righeto Div/Divulgação

Nascida em Goiânia em 1966, é moradora de Florianópolis desde 2004, onde atua como professora do Departamento de Artes Visuais da Udesc. A artista pesquisa o diálogo entre a arte contemporânea, ciência, natureza e tecnologia, tema de seu doutorado na Northumbria University. Aprofundou suas pesquisas sobre tecnologia de telepresença em seu trabalho de pós-doutorado na Universidade de Caxias do Sul, em 2005. Desde então desenvolve projetos artísticos que envolvem o uso de tecnologias novas e antigas, high e low tech, sobre a temática do meio ambiente. Mais recentemente, pesquisa sobre maternalismos contemporâneos, com foco em debates feministas, abordagem usada no pós-doutorado iniciado na Glasgow School of Art, Escócia (2014), e em andamento no DAV (Departamento de Artes Visuais) da Udesc. Professora do DAV e do PPGAV (Programa de Pós-Graduação em Artes Visuais), atua nas áreas de pintura, instalação multimídia e artes midiáticas.

Outras ações

Paralelo à mostra, ocorrerão atividades gratuitas para que jovens e adultos possam vivenciar a proposta artística de forma mais ampla. Além de visita mediada nesta quarta-feira, o projeto Intraduzível promove em 29 de agosto, em parceria com o PPGAV/Udesc, um evento-palestra com Ana Ferreira Maio, artista, doutora e professora. Conversa Intraduzível abordará temas pesquisados por Ana Maio e o lugar da experiência com imagens em movimento no cinema, videoinstalações, videoprojeções e outras tendências na contemporaneidade.

Nos dias 31 de agosto e 1º de setembro ocorrerá, sob a supervisão de Silvana Macêdo, o Festival de Vídeo 24h Arte & Meio Ambiente, que consiste de um encontro de três horas com apresentação de conteúdo teórico sobre a interlocução entre arte, ciência e natureza, seguido de parte prática para orientação coletiva de projetos em vídeo sobre o tema arte e meio ambiente, a serem desenvolvidos individualmente ou de modo colaborativo.

O segundo encontro, 24 horas depois, servirá para apresentação dos vídeos criados pelos participantes, com exibição dos mesmos no MIS na última semana da exposição. Essas atividades, todas gratuitas, são abertas ao público e voltadas sobretudo a estudantes de cinema, artes visuais, design ou áreas afins. No caso da oficina, requer conhecimento básico de edição de vídeo.

Mostra Intraduzível

Quando: Até 9 de setembro, de terça a domingo, das 10h às 21h. Visita mediada com Silvana Macêdo na quarta-feira (22), às 19h. Palestra Conversa Intraduzível com Ana Ferreira Maio no dia 29, às 19h. Festival de Vídeo 24h Arte & Meio Ambiente de 31/8 a 1/9
Onde: Museu da Imagem e do Som de Santa Catarina (Av. Gov. Irineu Bornhausen, 5600, Agronômica, Florianópolis)
Quanto: gratuito

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