Síndrome do pânico: conheça o transtorno que já foi enfrentado por Gisele Bündchen

Modelo relata em sua biografia a luta contra a doença. Diagnóstico precoce é importante para evitar que o problema piore

Ninguém está livre de enfrentar transtornos psicológicos como depressão, ansiedade e fobias sociais. A modelo Gisele Bündchen anunciou nesta quarta-feira (26) o lançamento de sua biografia, na qual relata sua luta contra a síndrome do pânico. O livro será lançado em 2 de outubro nos Estados Unidos, com o nome de Lessons – My path to a meaningful life. No Brasil, o exemplar sai no dia 15 de outubro e irá se chamar Aprendizados.

O problema enfrentado por Gisele tem sido bastante discutido nos últimos anos. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), a síndrome do pânico afeta de pelo menos 2% da população mundial.

Quem sofre de síndrome do pânico sente medo do que pode acontecer. De perder o controle, de enlouquecer, de morrer. Medo de tudo. Medo de ter medo. E esse sentimento não está associado a uma causa específica: dirigir um carro, falar em público ou dormir no escuro não são atividades que desencadeiam o problema. Experiências traumáticas como uma separação, um assalto ou a perda de alguém querido tampouco são responsáveis pela doença.

Começa a se espalhar pelo corpo e se soma a tremores, náusea e formigamento nas mãos e nas pernas. Logo os sintomas físicos chegam ao ápice, e a pessoa fica aterrorizada. Sente que não há o que possa fazer para sair dali, mas ficar onde está também é muito assustador. O pânico é completo quando associado aos fatores psíquicos: parece que algo terrível vai acontecer. Mesmo que tudo esteja calmo no ambiente, é como se, nos próximos minutos, tudo fosse acabar e não houvesse nada o que se pudesse fazer para evitar o flagelo que se aproxima.

Um diagnóstico precoce é importante para evitar que o transtorno piore. Sofrer de síndrome do pânico sem procurar um tratamento geralmente não significa que algum outro quadro vai se desenvolver a partir desse mal, mesmo no caso de outras doenças psíquicas, como a depressão. Mas o próprio transtorno vai afetar o paciente de maneira mais grave.

O problema, porém, tem cura. Quando identificado, costuma ser tratado com uma associação de psicoterapia e medicamentos, que incluem antidepressivos e ansiolíticos, responsáveis por causar um efeito tranquilizante que pode evitar o medo de ataques e controlar possíveis novas crises.

– O antidepressivo vai agir a curto, médio e longo prazos. Seria como um antibiótico para uma pessoa em estado gripal. A curtíssimo prazo, o que vai “baixar a febre” é o ansiolítico – diz o psiquiatra Abelardo Ciulla.

O tempo de tratamento varia muito de caso a caso – vai de alguns meses a vários anos. Em qualquer caso, é fundamental manter o processo rumo à cura pelo período definido com o psiquiatra: um tratamento interrompido antes do fim pode significar o retorno da doença com intensidade ainda maior.

Psiquiatras alertam ainda que o uso de substâncias consideradas estimulantes, como derivados de cafeína, nicotina e álcool, deve ser evitado para esses pacientes. Faz parte do tratamento também a recomendação de mudança no estilo de vida, priorizando boa alimentação e a realização de exercícios físicos com frequência. Outra indicação é fazer atividades de lazer, que ajudem a não pensar nos efeitos de um possível ataque de pânico, assim como ações de relaxamento, incluindo massagens e meditação.

Um mal pouco pesquisado

Apesar de dados divulgados no último ano pela OMS mostrarem que o Brasil é o país com a maior taxa de pessoas com transtornos de ansiedade no mundo – e o quinto em casos de depressão –, há poucas pesquisas abordando o caso específico do transtorno de pânico. Como há uma série de outras doenças associadas à ansiedade, e muitas delas são relacionadas a fobias claramente reconhecíveis, a síndrome acaba sendo pouco identificada.

Um estudo feito com a população norte-americana no início dos anos 2000 apontou que aproximadamente 3,5% dos cidadãos sofriam com os efeitos do transtorno de pânico. Em todo o mundo, as mais atingidas seriam as mulheres, em uma proporção de duas para um, e os afetados teriam principalmente entre 20 e 30 anos. Estima-se que cerca de 4% da população brasileira tenha registrado ataques de pânico ao longo da vida, com aproximadamente 1% do total desenvolvendo o transtorno.

Nos Estados Unidos, o National Comorbidity Survey (NCS) Replication, com uma amostra representativa dos norte-americanos, estimou que 23% dessa população preencheu critérios para ao menos um ataque de pânico isolado ao longo da vida.

Até pouco tempo atrás, o problema era também muito associado à agorafobia (o medo angustiante de lugares públicos e grandes espaços descobertos), mas diretrizes médicas recentes passaram a separar as duas síndromes, já que o pânico nem sempre está relacionado à vontade de ficar em casa, com a pessoa atingida temendo qualquer situação que possa acontecer lá fora.

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