Sonhos não foram feitos para serem adiados

Odeio a ideia de adiar sonhos

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Foto: Pexels

Explico – entendo que existem sonhos que realmente levam tempo para ser concretizados: às vezes você precisa de um ano (ou mais de um) para estudar para a prova, o concurso, o vestibular; às vezes precisa do mesmo tempo para se preparar para aquele cargo ou aquele mestrado; às vezes está juntando o dinheiro necessário para a viagem ou a compra do apartamento; às vezes está firme na dieta e no treino, para superar seus próprios limites e ficar de bem com o próprio corpo; às vezes está organizando o casamento para ficar igualzinho ao que você tem em mente. Nesses casos todos, você precisa de paciência, precisa respirar fundo e focar na sua meta, precisa pensar na recompensa que vai receber lá na frente – mas, em todas essas situações, já está fazendo o que realmente importa: já está correndo atrás. Já está dedicado a tornar realidade aquela coisa que, com o perdão do clichê, faz seus olhos brilharem.

Mas às vezes – muitas vezes – não é assim. Muitas vezes, as pessoas só ficam mesmo no sonho: acordam, vão trabalhar, voltam para casa – ficam presos nessa rotina, nessa coisa que nos agarra e nos enche de preguiça de sair da zona de conforto, e nunca tiram um tempo para pegar aquele sonho com as mãos e fazer com que ele se torne realidade. É difícil, mesmo. Dá preguiça. Dá medo: é mais fácil pensar que talvez você conseguiria do que tentar e quem sabe ter que se conformar com a triste realidade de não ter conseguido. Exige sacrifícios. Exige desapego. Exige se jogar em uma situação muito mais instável, mais insegura – às vezes, sem saber se o futuro, depois da realização desse sonho, vai ser tão confortável quanto o momento que se vive agora.

Acho que as duas desculpas mais frequentes são “falta de tempo” e “falta de dinheiro”. A falta de tempo impede você de começar aquele curso, de escrever seu livro, de adquirir o hábito de correr na praia ou na praça todos os dias. A falta de dinheiro impede você de começar aquele curso (pois é, também), de comprar um carro, de viajar para o exterior. Mas sabe o quê? Tempo se arranja: dizem que, quanto mais coisa você tem para fazer, mais tempo você tem, e eu acho que é verdade – você acaba se organizando melhor, aprendendo a não desperdiçar suas horas fazendo o que não precisa, e descobre que 24 horas são tempo mais que suficiente para fazer um monte de coisas. Dinheiro se junta: eu duvido que você não possa guardar um pouquinho no final do mês, nem que sejam 10 reais. “Ah, Nina, mas se eu juntar 50 reais por mês, quanto tempo eu vou demorar para conseguir viajar?” Bom, um monte, mas sabe o quê? Se você não juntar esses 50 reais por mês, não vai viajar nunca – e “nunca” é um tempo bem mais longo do que esse “um monte.”

Começa, cara. Com o que você tem. De qualquer jeito. Em qualquer lugar. Não importa quanto tempo vai demorar – o tempo vai passar de um jeito ou de outro. “Daqui a um ano, você vai desejar ter começado agora”, dizem. Não deixe para quando você for rico, porque talvez você nunca fique rico. Não deixe para quando você tiver tempo, porque, se não criar esse tempo, você nunca vai tê-lo. Não deixe para quando arranjar companhia, para quando os filhos crescerem, para quando se formar, para quando terminar esse ou aquele projeto. Um dia você vai morrer – certamente com um monte de sonhos não-concretizados, porque, graças, depois de um sonho sempre vem outro, né? Mas espero que seja com a maioria deles transformados em realidade – coisa que só vai acontecer se você parar de adiar e efetivamente for atrás.

É sério: o texto está acabando e talvez você não tenha planos do que fazer depois da leitura.

Só começa.

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