Ela chegou lá – e agora batalha por outras mulheres…

Considerada uma das mulheres de negócio mais poderosas do país, Sonia Hess de Souza defende cotas nas empresas e se diz feminista na essência

Foto Tiago Ghizoni/Diário Catarinense

Ela foi responsável por transformar a camisaria fundada pelos pais numa das maiores marcas de moda do país. Nos anos em que esteve à frente da Dudalina, a empresária Sonia Hess promoveu uma verdadeira revolução na empresa, com resultados financeiros e de marketing impressionantes. Quando deixou o cargo tinha duas certezas: a de que não queria voltar ao comando de uma grande empresa e de que precisava lutar para aumentar o número de mulheres em posições de destaque. Hoje ela lidera, ao lado de Luiza Trajano, do Magazine Luiza, o grupo Mulheres do Brasil, um movimento apartidário criado em 2013 com o objetivo de melhorar o país com atenção à educação, empreendedorismo, projetos sociais e cotas para mulheres – e que tem mais de 25 mil associadas.

A criação da cotas para mulheres nas empresas é uma das suas principais lutas. Por que?
A gente batalha por cotas, não só no comando, mas nos conselhos das empresas, que isso vire lei, para garantir um número mínimo tanto nas estatais quanto nas empresas privadas. Se nós não fizermos nada daqui 100 anos não teremos 20% de mulheres nos conselhos de empresas.

Por que ainda é tão difícil ver mulheres alcançando esses postos?
É uma questão cultural, felizmente hoje temos movimentos com esse olhar, antigamente não tínhamos nem dados. Esperamos em breve aprovar as cotas. Hoje nós temos o próprio IBGC, Instituto Brasileiro de Governança Corporativa, preparando mulheres para ocuparem conselhos. Eu sou mentora, a gente vê tantas mulheres que fazem trabalhos maravilhosos na ciência, na economia, mas elas trabalham mais quietas, a mulher não aparece tanto, e nós estamos fazendo esse movimento para mostrar que nós estamos aí.

Que conselho daria para quem quer chegar lá?
Tem que participar! Nós temos o Grupo Mulheres do Brasil, que começou com 40 mulheres e hoje tem mais de 25 mil, nós não somos contra os homens, somos a favor das mulheres, advogamos em causas como empreendorismo, violência contra a mulher. O próprio IBGC fez este programa para preparar as mulheres para o conselho, não que elas não estejam preparadas, elas estão extremamente preparadas, mas elas não se expõe e agora a gente vê que esse é o problema, o homem se expõe muito mais, mas isso está mudando. Claro que toda mudança tem o seu tempo e estamos vendo uma grande evolução nesses últimos anos.

Essa realidade é diferente em Santa Catarina?
Cada estado tem as suas características, a sua cultura. A minha mãe fundou a Dudalina, ela foi a grande empreendedora, meu pai era um homem trabalhador, mas não foi ele o empreendedor. Se a gente for olhar a fundo as histórias das empresas do nosso Estado a maioria começa na mão de uma mulher e depois vai crescendo, daí a mulher vai criar sua família e o homem continua esse legado, mas começa por uma mulher, que no meio da história procura outro caminho.

Quais os maiores desafios das mulheres hoje?

Saber se colocar e saber que elas têm o seu espaço. Tenho  uma amiga que diz que a mulher no segundo “não” desiste, o homem não desiste nunca, a gente tem essa coisa do medo.

Você se considera feminista?
Não essa feminista de queimar o sutiã, mas olhando como mulher e querendo que a gente tenha esse espaço maior em todas as áreas eu seria uma feminista sim, porque eu sou 100% a favor de todos os trabalhos que estamos fazendo. Temos um grupo muito atento a todas as questões de violência, igualdade racial, educação, saúde, empreendedorismo, politicas públicas. Queremos ser protagonistas das mudanças, sem agredir, as mulheres têm uma leveza, então vamos trabalhar as coisas com leveza.

Assista ao vídeo com a entrevista:

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