Surfistas catarinenses rodam o país em busca de talentos do surfe feminino

Bárbara Muller e Chantalla Furlanetto rodam o litoral brasileiro para mostrar as mulheres que fazem o esporte acontecer

Bárbara Muller e Chantalla Furlanetto
Foto: Ana Catarina Teles, divulgação

Serão 45 dias dentro de uma Kombi rodando o litoral brasileiro para mostrar a realidade do surfe feminino. As catarinenses Bárbara Müller e Chantalla Furlanetto, que já competiram no esporte e hoje são apresentadoras do Canal Off, vão rodar mais de 4 mil km entre o Sul e o Nordeste do país em busca de talentos. Elas partiram do Rio Grande do Sul, passaram por Florianópolis na semana passada e seguem viagem até Pernanbuco, o destino final. Todos os registros da viagem serão apresentados no programa Maré Feminina do Surf, novo projeto do canal a cabo.

A atração deve ir ao ar em 2020, ainda sem data de estreia, mas já é possível acompanhar um pouco da trip das catarinenses no Instagram das apresentadoras @barbaramullerrr e @chantallafurlanetto. Em breve, alguns vídeos – em formato de websérie – estarão disponíveis no aplicativo do canal.

 

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Stoked galss 💕 Valeu Floripa, foi irado! Obrigada miga pelas fotos @amandaribasphotos

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Mais do que reacender o surfe feminino e apresentar meninas que estão se destacando no esporte, o objetivo do projeto é contar histórias de mulheres que fazem o surfe feminino acontecer e se manter vivo.

– Estamos conhecendo muitas mulheres legais e inspiradoras. Desde uma com 60 anos e que surfa, até a menina de 8 anos que está ali pegando as primeiras ondas e se divertindo. Queremos mostrar esse amor pelo esporte que une mulheres tão diferentes – destaca a manezinha Chantalla Furlanetto, natural da Barra da Lagoa.

Chantalla começou a surfar aos 11 anos. Após conquistar o título catarinense amador e integrar a equipe Brasileira no ISA World Jr, profissionalizou-se aos 16 anos. Fez parte da elite do surfe profissional brasileiro e competiu etapas do Pro Jr e WQS pelo mundo.

Bárbara é natural de Balneário Camboriú, começou a surfar aos 11 anos e foi campeã brasileira em 2009. Em 2010 tornou-se freesurfer e, mais tarde, também passou a se dedicar a sua própria marca de biquínis. As duas se conheceram competindo e se identificaram com o mesmo objetivo: rodar o mundo surfando.

Em entrevista, Chantalla e Bárbara contam mais sobre o novo projeto. Confira:

 

Contem um mais sobre esse novo projeto em parceria com o Canal Off.

Chantalla: A ideia é passar por alguns lugares do Brasil e conhecer o máximo que a gente puder do cenário do surfe feminino. Isso significa conhecer quem está envolvido com o esporte e não precisa ser necessariamente uma surfista profissional, pode ser uma shaper ou uma fotógrafa. Queremos mostrar a força desse cenário em cada lugar que a gente passar. Além de ver novos rostos, queremos conhecer as pessoas e se sentir inspiradas por elas. Unir essa força, que as pessoas nem imaginam que exista.

 

Por que escolheram fazer o trajeto dentro de uma kombi?

Chantalla: A Jussara (como foi batizado o veículo) é a nossa personagem principal. A Kombi faz parte da cultura do surfe, antigamente as pessoas usavam muito. E também porque na Kombi cabe todo mundo. Cabe todas as meninas.

Bárbara: A Chantalla que está levando a Jussara e não é fácil. Ela é super forte, mas é muito difícil de dirigir. Não somos uma dupla, somos um trio feminino (risos).

 

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Mais uma aventura para o @canaloff começando por aqui ✨🌊 Vamos rodar o Brasil e queremos conhecer vocês, meninas mulheres que amam o surf assim como a gente…. Eu, a @barbaramullerrr e essa kombi linda que resolvemos chamar de Gessara (ou Jussara?) vamos rodar esse Brasilzão e vamos começar por Torres, cadê vocês meninas🏄🏽‍♀️?? Bóra pegar umas ondas e dar umas risadas com a gente ✨ Feliz demais em fazer parte de um projeto tão lindo e especial 🏄🏽‍♀️🌊👙🌻😍 @arraesfilmes #SurfeComoUmaGarota 👊🏼 #MareFemininaDoSurfe|| Fotos: @anacatarinaphoto || @hangloose_brasil @hbbrasil @cafecultura @skingbrasil @jonesea || #surfgirl #surfer #surf

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 Vocês já têm um roteiro prévio mapeado?

Chantalla: Fomos para Torres, passamos por Floripa e agora estamos em Ubatuba. Vamos passar por outros lugares como Rio de Janeiro, Espírito Santo, Bahia, Maceió e Pernambuco. Em todos os lugares queremos conhecer quem está movimentando o mundo do surfe. No último dia de gravação em todos os locais, o objetivo é reunir o máximo de meninas na água. Podem ser principiantes, profissionais, queremos todo mundo na água, para fazer aquele movimento. Em cada cidade vamos escolher um destaque, não para mostrar quem surfa bem, mas principalmente apresentar a essência, mostrar quem ama o surfe. Inclusive, em Floripa, foi uma menina que tava ali surfando muito, mas que ninguém tinha visto antes.

Bárbara: Quebrando totalmente o paradigma do surfe feminino comum – se pode ser chamado de comum – ela era diferente desde o momento que chegou na praia. Ela se jogou em aéreos e foi destaque. A gente anuncia esse destaque até para a galera se sentir incluída. A pessoa pode querer aprender surfar no dia da sessão. Todas são bem-vindas.

Foto: Amanda Ribas/Divulgação

 

Qual a visão de vocês sobre o surfe feminino atualmente?

Chantalla: O cenário hoje está renascendo. Estamos com duas atletas no WCT, que nos representam muito bem. Isso está fazendo com que as novas gerações voltem a acreditar no futuro dentro do esporte, mas além disso, têm várias iniciativas vindas de mulheres surfistas para fazer isso acontecer. Aqui em Ubatuba, estamos com a Suelen Naraísa – que vem de uma família de surfistas e que depois de anos sem um circuito, juntou a família para organizar um exclusivo para mulheres.

Bárbara: Tem gente que não se esforça para ver isso acontecer, mas quem quer fazer vai lá e faz. E corre atrás. Porque é dez vezes mais difícil que produzir um evento masculino. O feminino é atrasado nesse lado.

Chantalla: Hoje em dia o cenário do surfe também é muito amplo, dá para seguir em vários segmentos dentro do esporte. Eu e a Bárbara somos freesurfer e apresentadoras, por exemplo.

 

Vocês não competem mais?

Chantalla: Hoje não. Eu já competi bastante, a Bárbara também. No ano passado fui para uma etapa do profissional, mas têm muitos anos que o esporte como competição não é mais o nosso foco.

 

Isso pela desvalorização do surfe feminino ou uma escolha pessoal?

Bárbara: Foi uma escolha. Desde pequena nos duas competíamos juntas. Somos amigas há 16 anos. Nos conhecemos competindo. Sempre fomos mais de boa. Nunca teve aquela fome de competição. Os campeonatos acabaram, mas a gente teve a oportunidade e a criatividade para se reinventar com o freesurfer, sabendo usar os nossos outros talentos.

Chantalla: Acho que na realidade foi tudo que a gente sempre quis. Quando começamos não era muito comum. Víamos alguns meninos, mas era uma lifestyle diferente. A competição nos deu nome e reconhecimento para que isso fosse mudado. O meu sonho quando comecei era viajar o mundo surfando, nunca foi competir, mas meus patrocinadores exigiram isso na época. Depois que os campeonatos acabaram, eu aproveitei o momento e, ao invés de seguir outro caminho, eu preferi me reinventar e apresentei a proposta para os meus patrocinadores. Eles aderiram a ideia. Porque ou era isso ou nada.

 

Como se tornaram apresentadoras?

Chantalla: Foi natural. Quando o Canal Off foi lançado, a gente já estava bem na cena do surfe. E foi na época que os campeonatos acabaram e o canal estava buscando meninas para apresentar os programas. Para mim é bem recente, faz só três anos que eu comecei a gravar os programas, a Bárbara está um pouco mais.

Bárbara: A gente é muito comunicativa. A cada programa que passa, vamos aprendendo mais, se soltando. O mais legal é que são duas personalidades muito diferentes. Não temos vergonha de sermos nós mesmas. E a gente ainda tem doze anos (risos). Foi quando a gente se conheceu, a gente não consegue ser adulta.

Bárbara Muller e Chantalla Furlanetto
Foto: Ana Catarina Teles, divulgação

 

É legal que vocês mostram essa união e esse apoio entre vocês.

Bárbara: Ainda rola muito machismo no esporte e eu vejo o quanto isso é importante para o surfe. Acho que a gente está desconstruindo esse cenário machista porque já está careta, já está brega. Eu vejo a galera ficar em choque quando vê um monte de mulher entrando na água. Eles sempre são maioria, mas quando estamos juntas, as mulheres falam, se soltam. Os caras é que ficam quietinhos. Quanto mais mulheres no outside mais igualdade para ambos os gêneros.

 

Aqui em Floripa vocês se reuniram com meninas que já estão organizadas em grupos, como as meninas do Pé Na Estrada e Coração no Mar. Como foi?

Chantalla: Sim, a gente se conheceu no primeiro dia de gravação. Elas têm um projeto bem bacana, são nove mulheres longboarders em um motor-home rumo ao Festival Prancha Oca Feminino. Foi legal também para conhecer o cenário do longboard em Floripa.

 

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