Sustentabilidade marca edição 2018 do São Paulo Fashion Week

A marca catarinense do Vale do Araranguá, Studio Kalline, foi um dos destaques

Osklen
Osklen (foto: Marcelo Soubhia / Fotosite)

A 46ª edição do São Paulo Fashion Week, que aconteceu de 21 a 26 de outubro e teve como tema a TRAN[SP]POSIÇÃO, usou a passarela para falar de moda –
obviamente – mas com um discurso extremamente político e com os olhos muito voltados para a sustentabilidade. Muitas das marcas levaram questões socioambientais relevantes para a semana de moda mais importante do país, o que mostra uma construção de um propósito ainda maior principalmente ligado à moda mais sustentável, justa e ecológica.

Força catarinense

Studio Kalline
Studio Kalline (Foto: Ze Takahashi / FOTOSITE)

A marca catarinense do Vale do Araranguá, Studio Kalline, foi um dos destaques do projeto Top Five, desenvolvido pelo Sebrae e que fornece consultoria e acompanhamento para pequenos negócios de alto valor agregado na moda. Eduardo Rizzotto, que assina o estilo da grife, inspirou-se no Canyon Antelope, localizado na América do Norte, para criar peças com certo movimento irregular criado pelas luzes ao baterem no Canyon. A Studio Kalline utiliza mão-de-obra 100% catarinense, além de dar visibilidade ao design e produção manual do nosso estado.

100% algodão

Joao Pimenta Feminino
Joao Pimenta Feminino (Foto: Marcelo Soubhia / Fotosite)

O desfile de João Pimenta apostou, em parceria com a Vicunha, no material batizado de Absolut Eco, que se destaca pela redução de até 95% no consumo de água, já que não necessita de lavagem industrial mesmo após a sua confecção. Outro diferencial é a ausência de tingimento, que traz uma estética natural ao fio e faz com que seja reduzido em até 90% o consumo de químicos. Pimenta, na coleção feminina, contou com a ONG Sou de Algodão, movimento que promove a sustentabilidade e consumo consciente através do incentivo do uso de algodão. O estilista então criou uma coleção 100% utilizando essa fibra natural (que também aparece como referência nos bordados), sem
sequer utilizar aviamentos nas peças.

Oceanos e mares

Osklen
Osklen (foto: Marcelo Soubhia / Fotosite)

A Osklen, de Oskar Metsavaht, tem no DNA a preocupação com o meio ambiente e essa iniciativa ficou ainda mais clara com a Asap (as sustainable as possible), bandeira que teve início na última temporada e tem como objetivo trazer para a passarela (e lojas) 98% das peças produzidas com preocupação eco-friendly. Na SPFW46, o diretor criativo alertou sobre os cuidados que devemos ter com os mares e oceanos. O desfile-manifesto poupou 119 milhões de litros de água, reduziu em 70% o consumo de energia elétrica e atingiu o recorde de 272 mil garrafas plásticas reutilizadas. Para essa temporada, a Osklen ainda apostou na valorização do trabalho manual em parceria com a cooperativa Bordando o Futuro, do Rio de Janeiro, e com a ArteSol, ONG sem fins lucrativos que promove a autonomia dos artesãos e está presente em mais de 110 grupos espalhados pelo Brasil.

Pontos altos do SPFW

Lilly Sarti
Lilly Sarti (foto: Marcelo Soubhia/Fotosite)

• Um desejo por um estilo de vida mais sustentável, com produtos que diminuem os impactos ambientais.
• Destaque para as fibras naturais, como 100% algodão e o linho.
• A alfaiataria masculina ganha frescor principalmente com linhas vindas do sportwear.
• O conforto continua sendo uma necessidade, por isso as modelagens amplas mais uma vez se fazem presente.
• Tons vibrantes entram em cena, principalmente o neon.
• O clima western é também uma forte tendência da estação com franjas, botas e bandanas.

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