Tatiane Marafon: é um pleonasmo sim, mas se é passado já passou

Tatiane Marafon
Tatiane Marafon

Até o que é bom um dia acaba! Isso cabe a mim e também ao apego.

Entendo que em uma sociedade como a que vivemos, com tantas regras, tantos padrões, tantas crenças familiares, tanto pudor social, seguir seus sentimentos possa parecer um pouco difícil. Mas para quem já tentou tantos caminhos não custa tentar esse também, não é?

Acompanhei você entrando naquele relacionamento ideal, os momentos com ele eram especiais, fossem grandes festas ou aqueles programas de índio, não importava, ele estava ao seu lado. O tempo passou e você percebeu que estes momentos não se davam em uma quantidade maior do que os que vocês passavam estando longe, mas tudo bem, mesmo assim valia a pena.

O casamento aconteceu. Você pôde escolher cada decoração, cada docinho, as músicas, o local, o vestido e também o traje dele. Sim, ele disse que qualquer roupa serviria. E mais uma vez você entendeu, afinal, ele não tem apego com essas coisas simples.

Logo vocês tiveram o primeiro filho, você que estava no final da adolescência deu um tempo dos estudos porque as tarefas do lar estavam te exigindo mais tempo. Você até pensou em pedir ajuda, mas ele estava trabalhando ainda mais, até conseguiu um emprego extra e no fim de semana um grupo para jogar bola. Pensando bem, ele precisava de um tempo para se distrair.

Você olhava ao seu redor e concluía que estava tudo certo, afinal os casais vizinhos também tinham esse mesmo funcionamento. Todos seguiam o mesmo padrão. Tudo estava em ordem. Menos o seu vazio interior que parecia não ter fim.

Você voltou a estudar, resgatou sonhos que de fato eram seus. Ah, neste período ele largou de um dos empregos, pois entendera que já tinha conquistado um equilíbrio financeiro para a família, e nos jogos de futebol o filho sempre acompanhava… era linda a amizade entre eles. Você tinha casado com um bom pai. Mas você queria um bom marido. Você queria sentir amor. Vocês se separaram. Você se sentiu ingrata, insegura, você não sabia por onde recomeçar.

Mas tudo bem, afinal a vida não acabou! Espera… você ainda está vivo não é mesmo? Se você fizer um exercício de consciência vai lembrar que já passou por isso de outras formas
e se saiu muito bem!

Seguir a vida não é trair seu passado, é um pleonasmo sim, mas se é passado já passou! E sabe o que mais, não adianta você ficar revoltado, chorar ou se culpar, ele não voltará! Pela simples e natural condição de que já cumpriu a função que teria de cumprir em sua vida e na de outras pessoas. Então por favor, deixe-me morrer, por que acaso não permita isso, será você quem aos
poucos morrerá…

Leia também:
Tatiane Marafon: O “click” das relações

 

Tatiane Marafon
Localizada em Balneário Camboriú, a Lapidar Terapias atua no mercado de prestação de serviços de Psicologia Organizacional, e apresenta como proposta um trabalho personalizado e moderno, conforme as demandas e objetivos dos clientes. Um serviço que proporcione à sua empresa a gestão de pessoas, valorizando o ser humano e a qualidade de vida nas relações sociais de sua organização.