Tchelo Cunha fala sobre os desafios de apostar no sertanejo em SC

Foto: Fernando Hiro

Cantor e compositor Tchelo Cunha bombou no Youtube com o hit autoral Te Quiero. Foto: Fernando Hiro

Quem curte as baladas sertanejas do litoral catarinense já deve ter visto algum show de Tchelo Cunha. Natural de Florianópolis e morador de Itapema, o cantor e compositor comemora o sucesso de Te Quiero, música que o fez chegar nas rádios do Estado no começo deste ano e cujo clipe ultrapassou mais de 2,1 milhões visualizações no Youtube. Agora, ele se prepara para emplacar esse e outros hits além de Santa Catarina, e vai lançar novas composições ainda neste semestre – as canções serão produzidas FS Produções Artísticas, empresa da dupla Fernando e Sorocaba. Batemos um papo sobre como é a aceitação do sertanejo autoral no Estado, onde o gênero queridinho demorou para emplacar.

Como foi o início da sua carreira?

Meu amor pelos palcos e música vem desde muito cedo. Minha mãe conta que quando eu tinha uns três anos estava num evento e fugi. Quando viram, eu estava em cima do palco com microfone na mão. Antes de saber que era gente, já tinha esse negócio comigo. Com 12 anos, entrei para um grupo de pagode em Porto Belo, mas eu era o mais novo e eles não me davam muita chance de cantar. Cheguei a ter uma banda com os amigos do colégio, mas até então era na brincadeira. Me formei, fiz faculdade (Administração e Marketing) e saí desse mundo. Em 2011, um amigo me convidou para montar uma dupla sertaneja. Foi quando tudo começou a se profissionalizar. Em 2012, segui carreira solo, nasceu Tchelo Cunha, e graças a Deus as coisas começaram a caminhar.

Em Santa Catarina o sertanejo demorou para emplacar, comparando com outros estado. Que dificuldades você sentiu para apresentar seu trabalho autoral aqui na região?

É uma coisa pela qual eu sempre briguei. Faço bastantes covers, porém sempre lutei e já abro meu show com música autoral. Acredito demais no meu trabalho e na minha música. Mesmo quando eu ainda não tinha a oportunidade de tocar nas rádios, já sabia que o show era uma maneira das pessoas conhecerem meu trabalho. E mesmo sem saber a letra, as pessoas curtiam pelo balanço, pela pegada. Eu mesmo faço meu setlist, e cada região e casa tem um perfil. Costumo pedir nas redes sociais para o público opinar e recomendar algumas músicas. E na energia do público eu sou sentindo o que realmente eles curtem.

Te Quiero é uma mistura de sertanejo com reggaeton. É um estilo que tem feito sucesso no Brasil recentemente, mas que há muitos anos bomba nos outros países latinos. Por que você acha que demorou tanto para pegar por aqui?

Desde a primeira vez que tive a oportunidade de viajar para países como os EUA e México, percebi que existia uma ligação muito forte entre o povo latino. Uma coisa que eu achava que não existia aqui no Brasil. Aqui, a gente tem até rixa com os argentinos. Lá fora, tem uma irmandade. Percebi que a gente poderia ter isso. Em 2015, quando lancei meu primeiro CD Mega Evento, já trouxe isso em participações especiais porque tinha essa vontade fazer um link da música brasileira com a música latina.

Ouça:

Você acha que o futuro da música sertaneja é mesmo essa mistura de gêneros?

Eu acredito que a gente pode ousar, mas sem largar a raiz. A gente pode fazer como antigamente, como Leandro e Leonardo, Zezé di Camargo e Luciano, que colocaram a guitarra elétrica no sertanejo. Acho que eles ousaram e conseguiram. A gente pode ousar, mas nunca deixar a essência para trás, que é o violão, a batida, a gaita.

O que mudou na sua vida depois de Te Quiero?

A vida na música não é nem um pouco fácil. Quando tu consegues solidificar um trabalho e te firmar dentro daquilo, é um sentimento de reconhecimento e gratidão. Muitos sequer tratam a classe como uma profissão. Então é importante conhecer esse respeito e esse carinho. Às vezes fico surpreso porque como pessoa não mudei nada, mas as pessoas vêm dizer que estou famoso, pedem autógrafos, e ainda fico sem graça. Até porque foi um trabalho de formiguinha. Tive a intuição de fazer uma música que tivesse mais espanhol. Um amigo me ajudou com a dicção e gramática. Depois, para o clipe, quis mostrar uma pessoa em situação de rua que tivesse a possibilidade de mudar a vida depois de acreditar que ele tem talento. É uma mensagem de amor e afeto, com um ritmo empolgante.

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