Tecnologia estimula novos hábitos na era do compartilhamento

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Décadas atrás, quando linhas de telefone constavam como patrimônio na declaração do Imposto de Renda, o orelhão era presença comum em ruas de todo o País. Hoje esse bisavô dos itens de uso comum caiu em desuso, mas a tecnologia e a mudança de hábitos deram impulso redobrado ao compartilhamento. Bicicletas, patinetes, imóveis para locação e viagens de carro são campeões de popularidade. Mas a prática está ganhando corpo, chegando aos serviços e, principalmente, mudando a forma como as pessoas trabalham e se relacionam.

“Ultrapassamos décadas em que ‘o segredo do negócio’ era guardado a sete chaves para vivenciarmos, hoje, o contrário: a troca de informações para que o negócio fique ainda melhor. No campo da prestação de serviços, podemos citar o exemplo de médicos ou advogados que, embora concorrentes, atuam numa mesma área de especialidade e desenvolvem esforços conjuntos e de compartilhamento – debates, workshops, estudos e investimento em tecnologia – para que as soluções de suas áreas de atuação sejam as melhores e mais eficazes”, diz o advogado Tullo Cavallazzi Filho.

No segmento de eventos, por exemplo, o compartilhamento ganha espaço com as transmissões ao vivo por streaming. “A qualidade e disponibilidade da internet possibilita a transmissão ao vivo de eventos, o que permite que as marcas multipliquem o alcance das suas ações e proporcionem às pessoas viver experiências (adquirir o conhecimento de um seminário, ouvir uma apresentação musical, assistir a um show, entre outros) mesmo à distância”, diz o diretor da VOE Ideias, de Florianópolis, Fernando Ligório. Segundo ele, que esteve no SXSW no primeiro semestre, essa foi uma das tendências apresentadas no evento que discute a vanguarda da inovação no mundo.

O crescimento da tendência pode ser medido em números. Segundo estudo da consultoria PwC, a chamada economia compartilhada deve movimentar US$ 335 bilhões em todo o mundo em 2025. Em 2014 o setor movimentou US$ 15 bilhões. A consultoria também prevê que em 2030 um terço dos deslocamentos de automóvel no mundo serão feitos em veículos compartilhados.

A mudança de hábitos impacta até mesmo no projeto de novos empreendimentos imobiliários. A Dimas Construções, de Florianópolis, está lançando no fim de semana o D/Spot. O empreendimento terá estruturas como oficina de ferramentas, com itens próprios para pequenos reparos pouco usados no dia a dia disponíveis para compartilhamento, e armários com utensílios como aspirador industrial e kit fondue.

O prédio terá ainda bicicletas disponíveis para empréstimo pelos moradores, lavanderia compartilhada, horta e áreas comuns planejadas para atender novos hábitos de convívio.

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