Tenha uma irmã – se a vida não te deu uma, encontre uma você mesma

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Tenha uma irmã.

Se ela for mais velha, vai te ajudar com a tarefa da escola, te dar dicas que você demoraria mais a aprender se precisasse descobrir sozinha, abrir caminho para os seus pais te darem mais liberdades mais tarde, te acompanhar em viagens ou lugares onde você não poderia entrar sem companhia, te dar caronas e quem sabe até uma ajuda pra complementar a mesada que você ganha dos seus pais. Se ela for mais nova, vai te apresentar coisas que pertencem a uma geração mais jovem que a sua, te acompanhar em programas e brincadeiras que seus amigos poderiam achar bobos, te deixar maravilhada com pequenos acontecimentos da vida que agora você tem a oportunidade de assistir de fora, te admirar e te superar em iguais medidas, quem sabe até, dependendo da diferença de idade, treinar você para cuidar e se preocupar com uma pessoinha mais nova lá na frente, quando quiçá você for mãe. Se ela for gêmea, vai te acompanhar em cada etapa, vitória e tropeço da vida, servindo ao mesmo tempo como espelho e exemplo, apoio e parceria.

Vocês vão dividir um quarto, e dormir uma hora mais tarde do que deveriam, porque, apesar de terem deitado cedo, não fecharam a boca até metade da madrugada. Vocês vão para a escola juntas, no ônibus ou no transporte escolar, vão dividir o lanche na hora do intervalo; e, mesmo se implicarem uma com a outra, como é normal que irmãos façam, vão ameaçar de morte os bullys uma da outra – com a minha irmã não, querido. Vocês dormir juntas na casa da avó ou da tia quando os pais estiverem viajando, e vão ser a companhia uma da outra quando a saudade de casa apertar.

Vocês vão inventar brincadeiras que não vão exigir a companhia de mais ninguém para ser infinitamente divertidas – no sentido de intensidade e no sentido temporal também, já que vocês não vão se importar de repetir o mesmo passatempo várias e várias vezes. Vão falar mal e bem dos amigos (muitos desses, aliás, vocês terão em comum, com contribuições de ambos os lados), dos/das namorados/namoradas, dos pais, dos professores, dos chefes. Vão ter gostos em comum, filmes que passaram a infância assistindo, livros que passaram a infância lendo, e um arsenal de citações e piadas que mais ninguém vai entender. Vão trocar um olhar impassível, no meio da rua, e entender as mil coisas que a outra quis dizer.

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Vocês vão viajar juntas, e perceber que, mesmo sem querer, ficam de olho uma na outra o tempo todo, cuidando se a outra está ali, se está bem, se está se divertindo. Vão torcer uma para a outra na hora de convencer a mãe ou o pai a adotar um cachorro ou um gatinho, na hora do vestibular, da caça a um emprego, de encher o cofrinho para comprar um carro ou fazer um intercâmbio, do primeiro encontro. Vocês vão na formatura e no casamento uma da outra, e vão aplaudir e chorar e torcer – e, claro, morrer de orgulho.

Vocês vão ser diferentes em muita coisa, vão estranhar os gostos uma da outra, vão criticar escolhas que vão da cidade para morar ao corte de cabelo – e, ao mesmo tempo, vão cansar de ouvir gente comentando como vocês são parecidas. Vocês vão brigar e fazer as pazes – e aprender a ouvir o outro, a engolir o orgulho, a pedir desculpas. Talvez até a mudar de ideia.

Tenha uma irmã (ou um irmão). Se a vida não te deu uma, encontre uma – aquela prima, aquela amiga com quem você fez ou faz pelo menos parte das coisas que eu citei acima, e sem a qual a sua vida não teria a mesma graça. “Happiness is only real when shared”, dizem. Escolha bem com quem você vai compartilhar a sua felicidade. Mas uma irmã, eu garanto, é uma ótima pedida.