Confira nossa viagem para Terra Santa, onde vinho é considerado sangue

Nossa visita ao Monte das Oliveiras. Fotos: Arquivo Pessoal

Israel é uma viagem no tempo, onde podemos entender um pouco sobre nossas origens e comportamentos. Há 10 anos, fizemos nossa primeira trip a Israel, saímos da península de Sinai e passamos uma semana no país. Agora voltamos de cruzeiro, pelo porto de Haifa, visitando Jerusalém, Bethlehem, Jericó e o Mar Morto.

Em Jerusalém, visitamos pontos considerados sagrados, outros disputados e alguns contestados, marcando além das disputas entre as três religiões abraâmicas, as divergências entre católicos e ortodoxos.

Nossa primeira parada foi no Monte das Oliveiras, onde podemos ter uma vista magnífica da cidade antiga de Jerusalém e do monte do templo. No Monte das Oliveiras, segundo a Bíblia (Atos 1:12), Jesus passou alguns de seus ensinamentos. Lá está também a capela da ascensão e uma outra igreja onde Jesus teria ensinado o pai nosso aos seus discípulos.

Este monte é sagrado pelos judeus, cristãos e muçulmanos. O cemitério judeu, que fica aos pés do monte, é muito disputado, pois segundo o judaísmo será no Monte das Oliveiras o juízo final.

Na descida do Monte passamos pelo lugar onde, segundo a tradição cristã, Jesus foi traído por Judas. Em seguida passamos pelo jardim onde Jesus foi preso antes de ser crucificado. O local é marcado por uma igreja que guarda a pedra onde Jesus discursou a seus discípulos.

Mais a frente encontramos as tumbas de Maria e José, segundo a tradição ortodoxa.

Enfim entrarmos na cidade antiga, onde fizemos o trajeto da Via Sacra. Este local marca o ponto onde Jesus encontrou Maria enquanto carregava sua cruz.

Chegamos ao Santo Sepulcro, igreja construída nos tempos do Imperador Constantino, que guarda pontos importantes para o Cristianismo. Este seria o local da crucificação de Jesus.

Esta é a capela mais importante da Igreja do Santo Sepulcro, dentro está a tumba de Jesus Cristo (caverna em que colocaram seu corpo após a crucificação).

Aqui, o ponto onde Helena, mãe de Constantino encontrou a cruz de Jesus. A crença local afirma que foram encontradas três cruzes, e para saber qual era a de Jesus, Helena encostou as cruzes em um morto, sendo que com uma delas ele ressuscitou, assim esta seria a cruz de Jesus.

Nesta pedra Jesus descansou e o povo ria de seu sofrimento. Conta a lenda que colocando o ouvido na pedra, pode-se escutar as risadas.

Dentro da mesma igreja está o local onde Jesus foi preso junto a dois outros ladrões.

E aqui é onde o corpo de Jesus foi colocado logo após ser retirado da cruz.

Saindo do Santo Sepulcro, visitamos o muro das lamentações, um local sagrado para o judaísmo, sendo o único vestígio do Templo de Herodes, que foi destruído no ano 70 pelo imperador Tito. Este muro foi preservado por Tito para que o povo lembrasse que Roma venceu a Judeia. Os judeus, porém, consideram este muro como uma prova da aliança de Deus com os Judeus.

Um pouco mais acima, temos a vista do Dome of the Rock, a cúpula dourada, local sagrado para os muçulmanos, pois foi deste ponto que Maomé subiu aos céus e retornou com regras divinas. Segundo os muçulmanos Jesus não morreu na cruz, e sim, ascendeu aos céus. Esta revelação foi feita pelo Anjo Gabriel a Maomé.

No mesmo dia foi possível visitar ainda o Mount Zion e a tumba do Rei David, aquele que matou Golias, no qual contam que Jesus foi seu descendente.

Acordamos bem cedo no dia seguinte e fomos a Bethlehem, um território palestino, visitar a capela onde Jesus nasceu. Este é o local de nascimento de Jesus e é o ponto mais disputado entre os peregrinos.

Em Bethlehem está também a gruta do leite, uma capela que protege o local que tradicionalmente se aceita que Maria amamentou Jesus. Detalhe é que uma gota do leite de Maria caiu no chão e toda a gruta ficou branca.

Neste local, freiras se revezam e rezam 24 horas, sete dias na semana.

De lá, seguimos para a Palestina — note que Bethlehem é um território palestino dentro de Israel — para visitar a cidade mais antiga do mundo, Jericó, onde está situado o Monte das tentações. Aquele local, que segundos os textos sagrados, Jesus jejuou por 40 dias e foi tentado pelo Diabo.

E finalmente paramos para um mergulho no mar morto, e tomar um drink no bar mais profundo da terra. Com 33,7% de sal — o que equivale a 10 vezes mais que a água dos oceanos — nenhum tipo de organismo vive no mar morto. Você pode quase que se sentar na água devido a quantidade de sal.

Entre uma parada e outra, quatro coisas imperdíveis para se provar em Israel: Falafel, suco fresco de pomegranade, conhecida no Brasil como romã, tâmaras e café com cardamomo.

Enfim, muita ficção, lendas, disputas por poder, contos, que somados ao desespero humano em busca de uma vida digna e uma suposta continuidade no além, geram uma coisa curiosa e que desafia a razão, chamada fé.

E quanto ao líquido mais sagrado de Israel, o sangue de Cristo? Estamos falando dos nossos preciosos vinhos.

Os vinhos de Israel são produzidos por centenas de vinícolas, mais de 300. A produção de vinhos em Israel é contada desde os tempos bíblicos, porém foi o Barão Edmond Rothschild, dono do famoso Chateau Lafite, de Bordeaux, quem trouxe as técnicas modernas de produção para Israel. Em 1882, ele ajudou a estabelecer a Carmel Winery, após trazer técnicas francesas e importar uvas da França. Ainda em operação nos dias atuais, Carmel é a maior vinícola de Israel, que sofreu para estabelecer uma constante produção de vinho devido as regras islâmicas, onde o consumo de álcool é proibido.

Hoje vinícolas como Margalit, Barkan, Golan heights e Domaine du Castel, são premiadas internacionalmente. Os vinhos de Israel são produzidos em cinco regiões: Galilee, Judean Hills, Samson, Negev Desert e Shomron.

Golan é a região mais alta dentre as cinco citadas, em torno de 1200 metros acima do nível do mar. Por que isso é importante? O calor do país gera uvas com alto teor de açúcar, que necessita ser balanceado com alta acidez que as uvas de altitudes mais elevadas trazem naturalmente. Consequentemente os vinhos de Golan, tendem a ser mais equilibrados.

Apesar de existirem uvas nativas, as variedades mais plantadas são as francesas Cabernet Sauvignon, Chardonnay, Merlot e Sauvignon Blanc.

A rota histórica de comércio de vinhos entre Mesopotamia e Egito trouxe o vinho a Israel, que começou a usá-lo em ilustrações religiosas, já que o vinho era considerado sangue dos deuses mitológicos, muito antes de ser adotado como sangue de Cristo.

Hoje apenas 15% dos vinhos de Israel são produzidos para fins religiosos, afinal, os vinhos que há algumas décadas não passavam de souvenirs para serem tomados na Páscoa ou no Natal, hoje chamam a atenção de sommeliers e críticos que distribuem altas notas para os produtos de Israel.

Após nos acompanharem por esse passeio na Terra Santa, sugiro a leitura do e-book ‘Quem escolheu a sua religião?’ de minha autoria, disponível no site da Amazon.com, recentemente lançado.

Boa leitura!

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