De after da Pacha a local de casamento: Terraza celebra 5 anos com Gui Boratto

Foto: Bre Aragão

Foto: Bre Aragão

Em 2012, o Terraza nasceu como um after da extinta Pacha, em Jurerê Internacional. Mas foi no ano seguinte que o clube de música eletrônica tomou forma, alçou voo solo e supriu um nicho na Capital. A primeira noite recebeu o argentino Franco Cinelli, Mandy & Conti (Warung) e Renee Mussi (D-Edge). Cinco anos depois, o Terraza celebra o aniversário e o bom momento neste sábado (12) com Gui Boratto, um dos principais nomes da cena brasileira.

Focado na música eletrônica underground e de vanguarda, o clube já recebeu nomes como DJ Koze, Pachanga Boys, Teto Preto, Nastia, Miss Kittin, Nina Kraviz e Luciano. Mas, além dos artistas, o fato de ser um híbrido de clube e pistinha, ter um espaço ao ar livre, proximidade entre os DJs e o público e uma vibe de ponto de encontro entre amigos fez com que a balada se tornasse queridinha da cena eletrônica da Capital catarinense.

— A cena noturna de música eletrônica na cidade é muito dinâmica e tem uma alta rotatividade e renovação entre o público. A Terraza se consolidou como referência na cidade, mas não vejo como uma tendência, já que, por consequência e em parte pela própria Terraza, a cena se desenvolveu bastante nos últimos anos. É um rolê que já está assimilado na cultura popular da cidade — defende Ricardo Lin, que está à frente do clube desde maio de 2017, quando Tony Tomaino (ou Milano, como era conhecido), figura querida da noite e que comandava o local desde o começo, desligou-se da empresa. 

— Eu vivo isso 24 horas por dia, além da gerência também sou DJ residente, curador artístico, social media, diretor de arte e até relações públicas — brinca Lin, que teve o primeiro contato com música eletrônica há cerca de 20 anos e toca profissionalmente há 10.

Lin em foto de Caio Graça

Luiz Felipe Lindenberg, o Montag, tem 40 anos e também é uma dessas figuras “da velha guarda” na cena eletrônica da Ilha. Para ele, que desde a segunda metade da década de 1990 frequenta as maiores e menores casas da região, o clube é responsável por um antes e depois no ramo.

— Na minha opinião, a Terraza é a pista que representou toda a mudança da música eletrônica nessa última geração e tornou o underground mais visível e acessível para públicos maiores, abraçando todos os sub-estilos e tendências e direções, sendo pioneira e influente em vários momentos e agregadora em todos os outros — acredita.

Já para a estudante Alessandra Bruna Martins, de 20 anos e que passou a ir na balada há pouco mais de um ano, o legal é o clima de amizade que se forma entre os frequentadores mais assíduos.

— Além de nos encontrarmos por lá, marcamos outras saídas também, acabamos nos tornando um grupo mesmo, sabe? Uma rede de amigos que estão sempre se trombando por aí — conta.

Pistinha já recebeu até casamento

Foi nesse clima de reunião entre amigos que a alemã Coralyn Butz, que morou em Florianópolis durante sete anos, conheceu Tiago Ribeiro e, posteriormente, casou-se com ele no próprio Terraza. Quando veio morar na Capital catarinense, em 2010, ela curtia outros gêneros musicais, mas os amigos que fez por aqui gostavam de música eletrônica e então ela passou a frequentar o local – no início de forma esporádica e depois com mais assiduidade.

Em uma das fases em que ela frequentava regularmente o clube, conheceu Tiago no backstage, espaço mais próximo do DJ e que costuma reunir os VIPs da casa.

— Eu ia com um grupo de amigos e acabava encontrando sempre mais amigos. Tinha uma sensação boa de “casa” e ter acesso ao backstage com certeza dá uma sensação mais íntima. E foi lá que conheci o Tiago, que na época fazia freela de fotógrafo das festas. Flertamos, ele me clicou, cliquei ele. Clicamos (aloka). Foi o lugar que deu início a tudo — relembra Coralyn, que hoje mora com o marido em Berlim, em um papo por e-mail.

Foto: Rafael Cromano

Sempre envolvido nos eventos, o casal foi conhecendo a equipe do clube e aí surgiu a ideia de casar na pistinha.

— Tony (Milano) e os demais amaram, ofereceram ajuda e a idealização não poderia ter sido mais natural, fluida e fácil. Depois da cerimônia, em abril de 2016, o Terraza abriu para uma festa com cerca de 2 mil pessoas e foi uma sensação única. Todos estavam de preto e nós de branco — finaliza.

Saiba mais sobre o clube

Diferentemente de outras casas noturnas, no Terraza o DJ fica na mesma altura da pista, assim como os camarotes.  Apesar de pertencer a um grande grupo de entretenimento da Capital, dono do complexo Music Park, a balada reúne um público específico que está mais interessado na música do que em ostentação, paquera ou qualquer outra coisa. Foi a primeira casa do grupo a cobrar o mesmo valor de ingresso para homens e mulheres, em agosto de 2016 – uma prática que já era comum em noites consideradas alternativas na Capital, principalmente as localizadas no Centro, mas que ainda não havia chegado a Jurerê Internacional.

A casa tem capacidade variável, dependendo da festa e das condições climáticas, já que apenas parte do espaço é coberto. Em algumas festas, os frequentadores também podem ocupar parte do Garden, o espaço externo do complexo Music Park.

Afinal, é O Terraza ou A Terraza? O clube ou a pistinha?

— Eu, particularmente, gosto de chamar “a nossa pistinha Terraza” — diz Lin.


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