Trabalhe em vinhedos de Portugal em troca de hospedagem, alimentação e conhecimento

Fotos: Arquivo Pessoal

Em nossas caminhadas pelo mundo, vez ou outra ficamos hospedados em vinícolas, fazendas ou vinhedos. Foi assim na Itália, Alemanha, Turquia e agora Portugal. Registrando-se no site workaway.info, você escolhe áreas de seu interesse, assim como países que gostaria de conhecer, envia um convite para os chamados “hosts” e se aceito, geralmente trabalhará 5 dias na semana, 5 horas por dia e em troca você receberá casa, comida e muito conhecimento.

No Dão, ficamos hospedados em um vinhedo, com um casal da Holanda e da África do Sul, e com mais 3 “workaways” um casal do Reino Unido e um adolescente da Irlanda.

A troca de conhecimento, e experiência é indescritível, vai além do que os livros podem nos traduzir. Você aprende a se mover na fazenda, a utilizar ferramentas, máquinas, tratores, aprende a cuidar de animais e a cuidar das vinhas.

Ficamos em uma casa, a beira dos vinhedos, quarto próprio, com muita comida, cerveja e vinhos disponíveis, tudo oferecidos pelos donos.

Fizemos um pequeno vídeo que resume o que vimos por lá.

Nas nossas horas de folga e finais de semana, visitamos vinícolas da região e festivais locais. Em uma das vinícolas visitadas, provamos vinhos feitos a moda antiga, extremamente caseiros, de vinhas centenárias e de qualidade – quase que inacreditável –  levando em conta a pureza dos elementos, sem aditivos químicos ou controle de temperatura e usando técnicas antigas de enologia e viticultura.

Em contrapartida, visitamos grandes cooperativas, que produzem vinhos de qualidade e que ajudam os produtores locais, comprando suas uvas.

Como a adega cooperativa da Vila Nova de Tazem, onde almoçamos com o Enólogo Pedro, responsável pela cooperativa, e Alan Buckle – dono da Horta da Rija, onde ficamos por duas semanas – e aprendemos um pouco mais sobre a região do Dão.

Portugal possue mais de 300 tipos de uvas autóctones, ou seja, uvas originárias de Portugal. Os tintos do Dão, geralmente são um blend de três variedades: Toriga Nacional, Tinta Roriz e Alfracheiro. As vezes a variedade Jaen, substitui uma delas. Por vezes encontramos vinhos 100% Toriga Nacional, porém apenas em anos excepcionais.

Uma das variedades locais que nos encantou, foi a rara Baga. Mais comum na região de Bairrada (fora do Dão) e domada pelo famoso enólogo Luis Pato. Outro vinho excelente desta região, é o Regateiro, 60% Baga e 40% Toriga Nacional.

Dão é a primeira região demarcada como DOC, para vinhos não licorosos de Portugal. Foi estabelecida em 1908, sendo considerada a Borgonha portuguesa, tendo o enólogo Alvaro Castro, muita reputação na região.

São 7 as sub-regiões do Dão: Alva, Besteiros, Castendo, Serra da Estrela, Silgueiros, Terras de Azurara e terras de Senhorim. Sendo Serra da Estrela a mais popular entre os enólogos. Talvez a melhor combinação do Dão seja um blend tinto da Serra da Estrela, com o famoso queijo de cabra local, que se pode comer de colher.

Flor de cardo e leite de ovelha: apenas esses dois ingredientes são usados na receita para produzir o tradicional queijo da Serra da Estrela. De textura amanteigada, para comer de colher ou passar no pão, o queijo só pode ser vendido após 45 dias de sua produção. O segredo do seu sabor tão especial está na qualidade do leite produzido pelas ovelhas da região, alimentadas apenas com pasto.

Enfim, se você quiser ter uma imersão nos vinhos de determinada região, o melhor é “se hospedar” em um vinhedo e fazer um estágio de umas duas semanas ou mais.

Saúde! E vamos rumo a Rioja, Espanha.

 

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