Nutricionista explica como tratar de transtornos alimentares e de imagem corporal

Foto: Pixabay

Por Juliana Ardenghi – Nutricionista e nutricoach

Hoje em dia, a imagem que muita gente faz de ser saudável está relacionada a ter um corpo magro. Mas será que saúde é isso? Qual é o nosso papel, como profissionais de saúde, na orientação ao paciente? Como nutricionista, tenho estudado e observado no consultório que nós, profissionais, precisamos tomar cuidado ao passar informações para nossos pacientes sobre o que é ser saudável. Somos promotores de saúde, e nunca é demais recorrer ao conceito de saúde da Organização Mundial de Saúde (OMS): “É um estado de completo bem-estar físico, mental e social, e não somente ausência de afecções e enfermidades”.

Em nenhum curso de nutrição há disciplinas que falem em secar o abdômen ou indicar dietas da moda. Estudamos a ciência dos alimentos para, através deles, promover a saúde no sentido amplo do conceito: o bem-estar físico, mental e social. Sabemos que a alimentação tem componentes culturais, que os alimentos nos trazem lembranças e estimulam sensações emocionais, que precisamos, sim, variar e ter equilíbrio em relação a todos os tipos de alimentos – e não nos limitar a um grupo restrito. Hoje existe todo um marketing em cima dos alimentos, e uma palavra que surge para designar algo saudável é fit ou fitness, cujo significado está mais relacionado a “encaixar, ajustar” e geralmente é associada ao corpo sarado. A indústria de alimentos dissemina o termo para vender saúde, mas vende alimentos processados como se fossem os mais saudáveis.

Como resultado da desinformação, surgem com força cada vez maior os transtornos alimentares e de imagem corporal. E qual é a nossa responsabilidade como profissionais: focar no corpo magro à custa de tudo ou na saúde física e mental de nosso paciente? A resposta é tão evidente quanto o perigo dos transtornos alimentares, cuja estatística avança principalmente entre as mulheres. Num universo em que qualquer pessoa preconiza dieta e o culto ao corpo se impõe acima de tudo, ouvimos no consultório relatos de pessoas emocionalmente perturbadas devido a informações distorcidas disseminadas em blogs, revistas, redes sociais e até mesmo por profissionais de saúde.

É preciso estudar e debater cada vez mais os transtornos e suas origens, sempre lembrando que atendemos a pessoas únicas e que não existe alimento, dieta ou fórmula mágica quando se trata de saúde. Individualizar o atendimento aos nossos pacientes é o melhor caminho para exercer o nosso papel e a nossa responsabilidade como nutricionistas, que é promover saúde.