Um conselho de Dumbledore para começar bem o ano

Já dizia Dumbledore, nos livros de Harry Potter: "Naturalmente isto está acontecendo dentro da sua cabeça, mas por que isso deveria significar que não é real?" (Foto: Pixabay)

O réveillon é minha festa favorita do ano: é uma data comemorativa que, apesar de tão marcada por tradições quanto o Natal, a Páscoa ou qualquer outra, parece menos cheia de formalidades, menos cheia de obrigações (do tipo dar presentes ou fazer necessariamente uma ceia) – e é símbolo de uma época em que as pessoas estão mais otimistas, mais alegres, mais positivas a respeito do futuro. Se o ano que passou não deu lá muito certo, sem problemas: agora vai. Fazem planos, traçam metas, e estão de fato mais decididas: nesse ano, aquela mudança de carreira (ou aquele curso novo, aquela dieta, aquele intercâmbio, aquele hábito mais saudável) sai do papel!

Minha empolgação com esse clima toda e com a festa em si (sou do tipo que, se está na rua, sai desejando “feliz ano-novo” para todo mundo – não parece que todo mundo vira amigo na noite de réveillon?) não é nem abalada pelo meu lado mais cético. Se eu parar para pensar com mais atenção, começo a achar tudo isso meio irônico. Porque, pensando bem… Nada mudou realmente, né? O tempo não tem de verdade as divisões que inventamos para organizar nossos calendários e facilitar nossas vidas: tudo é uma linha contínua, não uma série de pequenos conjuntos de horas, dias, meses. Não existe uma divisão concreta entre segunda e terça-feira, entre outubro e novembro, entre a primavera e o verão. No fundo, você não vai trabalhar ou dormir uma vez por dia – vai uma vez a cada intervalo regular de tempo. No fundo, um dia não está claramente separado do anterior pela noite que há “entre” os dois – foi só um movimento planetário que fez o nosso cantinho aqui na Terra ficar escuro e, opa, clarear de novo. Tudo é uma coisa só. Infinita – e inexorável, como diria Bernard Cornwell em seus livros.

Então, no fundo, o novíssimo 2019 não está nem um pouco separado do (para tanta gente) infame 2018. Não há diferença entre este janeiro, tão cheio de promessas e novas esperanças, do 2018 que ganhou fama na internet como um dos piores anos das últimas décadas – seja por causa da derrota na Copa, da situação econômica no país, do resultado das eleições, das tragédias naturais e humanas ao redor do globo. Na verdade, a sensação de que o ano passado foi terrível provavelmente é sempre muito mais intensificada pelos comentários a respeito de como ele foi terrível do que pelos acontecimentos em si – e é cíclica: todo mundo já reclamava de 2017, de 2016, e assim por diante – “e achávamos que 2017 tinha sido ruim”, dizem.

A questão toda é: está tudo dentro da nossa cabeça. Então esse otimismo a respeito de 2019, apesar da falta de, digamos, embasamento “científico”, não é nada ruim: é ótimo poder aproveitar a onda de positividade – e de produtividade – para botar a mão na massa e efetivamente colocar nossos planos em prática, transformar nossos sonhos em realidade. Sem aquela preguiça de “ano que vem eu faço”, sabe? Já dizia Dumbledore, nos livros de Harry Potter: “Naturalmente isto está acontecendo dentro da sua cabeça, mas por que isso deveria significar que não é real?” Se o ano não tem nada de novo na “vida real”, não tem problema: quem precisa pensar novo é você. E só depende do nosso ponto de vista (e das nossas atitudes, vai) fazer um ano pior ou melhor que 2018.

 

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