Uso excessivo de telas na infância está associado a atrasos de aprendizagem das crianças

Para evitar problemas, a Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda uma hora de exposição no máximo para crianças entre dois e cinco anos

Foto: Júlio Cordeiro / Agencia RBS

Não é novidade dizer que o uso de telas na infância prejudica o desenvolvimento das crianças. Contudo, um estudo publicado nesta semana no periódico JAMA Pediatrics mostrou que o consumo excessivo desses dispositivos tem impacto negativo no aprendizado dos pequenos.

O levantamento foi feito com 2,5 mil crianças de dois anos. Elas foram monitoradas até os cinco. Os resultados mostraram que os pequenos foram expostos a um tempo superior às recomendações da Sociedade Canadense de Pediatria nesses três períodos.

— Nosso estudo mostra que crianças em idade pré-escolar que passaram muito tempo em videogames, aparelhos conectados à internet, televisão e outros aparelhos apresentaram atrasos e déficits de aprendizagem ao ingressar na escola — disse, ao site da universidade de Calgary, Sheri Madigan, líder do estudo.

O relatório também revelou que o excesso de exposição às telas resultou em pior performances física, comportamental e cognitiva. As crianças também não conseguiam cumprir marcos importantes do desenvolvimento infantil em linguagem e comunicação, resolução de problemas e habilidades motoras.

— O que diferencia esse levantamento dos anteriores é que analisamos os impactos duradouros do tempo de tela. Especificamente em como o tempo de exposição aos dois anos impacta no desenvolvimento aos três e como o uso aos três impacta nos cinco — completou a pesquisadora.

No Canadá, a recomendação é que crianças menores de dois anos não sejam expostas às telas. Dos dois aos cinco anos, a indicação é de uma hora por dia, proibindo o uso pelo menos uma hora antes da hora de dormir.

Aqui no Brasil, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) limita a uma hora por dia de exposição para crianças entre dois e cinco anos. A partir dos seis anos, esse uso deve ser de, no máximo, duas horas por dia.

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