Vanessa Tobias: eu te quero bem, sempre

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Leo Munhoz/Agência RBS

Já faz mais de 15 anos que, saindo pelo portão do shopping, cruzei com um colega de infância. Lembro bem dele da época da escola, não éramos da mesma turma, mas naquela fase ele já dirigia e parecia mais maduro – tinha uma namorada de longa data e eu (?) tinha beijado uns poucos meninos – um deles com um beijo selinho e, no dia do beijo, assustada e nervosa, desconversei e fui embora, literalmente, correndo.

Já mais madura, sócia de uma empresa Júnior de consultoria e uma visão empreendedora e de liderança para a vida, cruzo com ele e pergunto a quantas a vida andava. Ele também tinha um negócio e eu o considerava mesmo um menino avançado. Ele disse que estava feliz com a empresa de perfumes que tinha e que seu sonho era ver “O Boticário” fechar por falência – em função de seu sonhado sucesso.

Para a minha visão não havia nem avanço, nem sucesso e nem liderança naquele posicionamento. Sua empresa fechou menos de um ano depois – o que, para mim, era lógico. Nunca haverá sucesso quando o pressuposto é a falha, a vergonha, o “não dar conta” do outro. Posso ter todo dinheiro e toda fama, se não for acompanhado de um caráter generoso e de aprendiz, ainda assim veremos alguma miséria. Vejo que a gente anda perdendo tempo na torcida uns contra os outros. Não se fala mais dos princípios da liderança de fato: que é conquistada com experiência, inspiração, alguma inovação e ações baseadas em princípios.

Por princípio, devemos colaborar e aprender com o inevitável. Em 2008 quando comecei minha trajetória profissional, no foco em que me mantenho até hoje, quis saber e conhecer quem eram as pessoas mais bem sucedidas da minha área. Nunca acreditei em concorrência, mas em modelos – e sei que meu posicionamento é polêmico tanto quanto profundo. Não há ninguém como você, nem como eu. É por isso. Inspirados por modelos, compreendemos como melhor usar nossos recursos – não só para respeitar e destacar nossa essência única, mas para que sejamos orientados pelos princípios e pela experiência dos que já chegaram e se mantiveram lá.

Me apego a linha do tempo e a consistência de uma construção de vida baseada em princípios, em que, se Deus permitir, sempre estarão abertas as portas da abundância e do compartilhamento, porque torcer pelo sucesso do outro é como vibrar e levantar pelo próprio sucesso. Às vezes, quando estou mais enfraquecida, sinto alguma inveja. Acho normal. Também bate o medo – mas sei que é tudo coisa imatura do ego daquela menina que se assustava com um beijo selinho. Depois lembro que parecer alguma coisa não significa ser, de fato, uma essência vitoriosa. E, mais calma, retomo a produção do meu próprio perfume. Nossa essência é nossa salvaguarda.

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