Vanessa Tobias: termine projetos antigos antes de colocar novas ideias em prática

Foto: Estée Janssens, Divulgação

Sou uma pessoa muita cheia de ideias. A maioria, na minha cabeça, são ideias realmente boas. Algumas são simples, outras nem tanto. Quem convive me apelida de megalomaníaca, e eu acabo gostando de ser chamada assim — só não confesso. Sendo assim fui entusiasmando, criando e realizando muita coisa. Isso funcionou bem até meus sonhos crescerem e necessitarem mais de consistência do que de explosão.

Houve uma fase preocupante desse processo de criatividade “de sobra”, que era o fato de eu passar mais tempo nas ideias do que nas ações. Outro fenômeno era quando eu começava a executar a ideia e logo largava mão — ainda na metade da execução — por ter uma “ideia melhor”. Era imaturidade, e não uma ideia melhor, mas eu não sabia que me faltava visão de longo prazo. É que nem tudo na vida é para agora. E boa parte do que é para agora, precisa começar hoje e continuar amanhã e depois também. Nunca curti o “devagar e sempre”, mas aceitei que ele é verdade.

Assustadoramente, passei praticamente um ano em torno de um projeto que levou uma semana para ser realizado quando tomei a decisão de não abrir mais espaço para o novo, até merecê-lo. Disse para equipe: “não faço mais nada até terminar esse projeto.” E fui disciplinada. Passavam diariamente por mim convites para começar discussões sobre o que ainda poderíamos criar, e fui fechando as portas. E, essa lição – uma semana depois, com o projeto finalizado e lindo – mudou minha perspectiva para tudo na vida, mudou meu negócio e me transformou em uma pessoa mais madura. Foco é poder e quanto maior o sonho, maior a necessidade de comprometimento. Como, afinal, avaliar e crescer, se eu não encerro um ciclo?

Para mim, o mais difícil foi notar que as pastas que estavam abertas na minha cabeça não eram feitas só de ideias. Que parte da força que eu tenho para executar ideias se perdia: no porta-malas cheio de roupas,  sapatos, bijuterias e o filtro para arrumar; na visita da semana que eu não tinha feito para meus pais; na ligação para os sobrinhos que eu não fiz, mas tinha prometido; no quarto da bagunça que já não tinha espaço para mais papéis “vou ver depois” e na chateação que eu ainda sentia com a história do ex. Nada novo com tudo velho. Nada de clareza com tudo bagunçado e apegado. O ano ainda está no começo e não é hora de começar nada novo, até que se vejam no lugar: as coisas, os compromissos e os sentimentos.

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