Juliana Couto, a @veganapratica, angaria seguidores com receitas deliciosas

Jovem de Florianópolis também vai lançar, em breve, sua própria linha de alimentos veganos

Fotos: Betina Humeres

Em pouco mais de dois anos, Juliana Couto mudou completamente seus hábitos alimentares e estilo de vida, virando vegetariana e, logo em seguida, vegana. Formada em direito e pós-graduanda em Ciências Criminais, a estudante de 24 anos ficou conhecida em todo o Brasil com o projeto Vegana Prática – que hoje tem um blog e mais de 78 mil seguidores no Instagram – e se prepara para empreender no ramo da alimentação vegana. Acompanhadas de um cappuccino (com leite de amêndoas, é claro), nós conversamos sobre este lifestyle.

Como você virou vegana? Foi influenciada por alguém?

Não teve nenhuma inspiração por perto. Primeiro, virei vegetariana, depois de assistir a alguns documentários sobre sustentabilidade. A primeira causa não foi a dos animais, não foi por culpa ou compaixão, eu não tinha tanta sensibilidade a isso. Era mais pela questão do meio ambiente, mesmo. Depois que uma amiga me marcou em vídeos sobre as indústrias do leite e de ovos, fui percebendo mais minhas ações e virei vegana. Mas antes eu falava que nunca ia ser. Achava que não ia conseguir, eu era viciada em queijo.

Veganismo, aos olhos de muitas pessoas, não é nada prático e é caro. Você tenta desmistificar isso?

Tento fazer todas as minhas receitas o mais acessível possível. A maioria é sem glúten, não porque eu tenha alguma intolerância mas porque o público pede. Se tem um produto caro, sempre dou opções para baratear a receita. E tento fazer de forma que a pessoa possa usar no lanche, congelar, comer durante a semana, para que seja prático para ela. Entendo que muitas pessoas não viram veganas porque acham que não é prático. Mas é porque a gente está muito acostumado a preparar alimentos que não são vegetais. O alimento vegano é mais barato. O negócio é largar supermercado. Isso para mim é caro. São alimentos que tem rótulo, design, e você paga tudo isso. Comprando na feira, você paga apenas o alimento. Mas ele pode ser mais caro, se usar um leite de amêndoas ou de macadâmia ao invés de um de arroz, por exemplo.

Você conta em um post que acabou se afastando de algumas pessoas. Como foi isso?

As pessoas são preconceituosas com tudo. Eu ia em churrascos com amigos que toda hora faziam piadinhas, passando carne na minha frente. Ou falavam coisas que me magoavam, piadinhas totalmente idiotas que me fizeram ver que a pessoa não tem nada a acrescentar na minha vida, principalmente se não respeita algo que faz tão parte dela. Fui me afastando de pessoas intolerantes, não só com o veganismo. Se você não respeita alguém, por qualquer coisa, não tenho vontade de estar perto. E aí fui fechando portas para pessoas que não acrescentavam mais.

O veganismo também está ligado a outros movimentos?

Tem várias teorias. Tem quem pense que é só a questão animal, e outras vertentes que liga ele a outros movimentos sociais. É o chamado veganismo interseccional. Está ligado ao feminismo e a outras questões. O sofrimento da vaca na indústria do leite, por exemplo, é possível associar com a questão da mulher. Me identifico que não dá para isolar os movimentos. Vejo muita gente vegana que é racista, homofóbica, e isso não faz o menor sentido. Ao mesmo tempo vejo pessoas que lutam na causa feminista e debocham do veganismo. Acho que tem muito a crescer nessas questões, em unir as causas e não isolar.

Ainda existe o estereótipo do vegano chato?

As pessoas julgam, não adianta. Sempre respeitei o tempo dos outros, nunca tentei impor, sempre levei minha comida e nunca falei nada. Acho que é a melhor forma. Ser uma inspiração mas sem impor o que você é. Toda imposição gera uma trava. Se alguém tivesse me forçado, eu não teria virado. E hoje mais da metade das minhas amigas são vegetarianas, minha mãe virou, meu namorado está virando. Mas, apesar dos veganos terem todos a mesma causa, é todo mundo pensando diferente em relação à mesma coisa. Não é uma religião em que todos estão ali maquinados no assunto. As pessoas são muito diferentes. Eu tento ir aos poucos e viver de forma mais sociável, sem me isolar.

Almoço vegano

Neste sábado (16), a Juliana vai assinar o almoço do Ubaiá, restaurante e empório que fica no Passeio Primavera, em Florianópolis. O cardápio terá pratos como feijoada de cogumelos e tofu defumado, acarajé com maionese de coentro e vinagrete e bobó de pupunha. Neste dia, o bufê vai custar R$ 35 livre ou R$ 52,90 o quilo. Sócios do Clube NSC têm 10% de desconto na refeição!

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