Quem acha o verão italiano impraticável nunca pegou uma saída da Praia Mole

Capri, Nápoles, Itália. Foto Divulgação

Me disseram que ir para a Itália em julho, no auge do verão e em plenas férias escolares, seria a pior decisão da minha vida. “Estará lotado! Você não vai conseguir andar! Esta é a pior época para conhecer as praias italianas!”, diziam os entendidos. Eu tentava explicar que era uma oportunidade única: fui convidado para palestrar no Rock in Rio Innovation Week, em Lisboa, e a passagem pra Itália saia quase de graça, pra toda família. Poderíamos aproveitar os quinze dias de férias das minhas filhas para conhecer um dos litorais mais lindos do mundo.

“Não faça isso! Cancele tudo! A Itália em julho é impraticável!”, continuavam a me dizer. Pois bem. Desembarcamos em Nápoles, alugamos um carro, conhecemos a Costa Amalfitana, Capri, a Puglia, e tudo o que eu posso dizer para as pessoas que nos advertiam é: vocês nunca foram pra Floripa no verão.

Meus amigos, quem nasce em Florianópolis vira um profissional da super-lotação, um expert da falta de lugar pra estacionar, um às do cálculo dos horários de contra-fluxo do trânsito. A Itália é para amadores: não pegamos nenhum engarrafamento de mais de dez minutos, todos os ônibus chegavam rigorosamente no horário, todos os restaurantes tinham mesa vaga ao meio-dia. Acreditem: no verão italiano não falta água! Nem luz! Um luxo! Quem acha o verão italiano impraticável nunca pegou uma saída da Praia Mole!

É verdade que algumas praias são de pedra, você anda se equilibrando, um pé de cada vez, um caminhar bastante ridículo rumo ao mar gelado. Também é verdade que na Itália eles chamam de praia aquilo que não é praia: em qualquer costão rochoso estará lá um cidadão com sua toalhinha estendida, pegando o sol do meio dia e mantendo seu bronzeado cor de cenoura. Outra peculiaridade italiana: eles buzinam o tempo todo, pra tudo. O sinal fechou? Buzina. Alguém parou pra uma pessoa atravessar? Buzina. Quando perguntei o motivo daquilo o taxista me disse: “É música! É música!”.

Minhas filhas ficaram maravilhadas com a língua. Chegávamos em um lugar e as pessoas diziam: “Ciao!”. Tchau é “oi” em italiano. E quando trazem o prato os garçons falam: “Prego!”. Elas riam. “Eu não quero comer prego!”, disse a mais nova. De noite, comprávamos uma massa e fazíamos na sacada do apartamento alugado. Os italianos ficavam todos na sacada, conversando alto entre eles. Não entendíamos nada. Ficávamos apenas ouvindo. Os italianos e as buzinas. É música. É música.

 

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