“Viajar aumenta as conexões entre os neurônios e a eficiência cognitiva”, diz psicóloga

foto de mala para viagem - Foto Photo by STIL on Unsplash

Por Fabiano Moraes
Foto STIL on Unsplash, divulgação

As razões para viajar são muitas. Mas quais são os benefícios para quem enfrenta horas se deslocando de avião, carro ou trem para chegar a um local de língua e hábitos estranhos? Para entender como a experiência pode ajudar no autoconhecimento ou até mesmo contribuir para uma vida mais saudável, entrevistamos Noéli Gesser, psicóloga especialista em psicologia clínica.

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Muitas pessoas dizem que viajar é uma jornada em busca de autoconhecimento. Precisamos ir para um lugar exótico para descobrir mais sobre nós mesmos?
O ato de viajar acrescenta uma bagagem cultural, amplia a visão e o entendimento do mundo como um todo, traz vários benefícios à saúde mental, proporciona bem-estar e nos deixa mais inteligentes. As últimas pesquisas realizadas têm mostrado que uma viagem aumenta as conexões entre os neurônios e, consequentemente, a eficiência cognitiva. O psicólogo inglês Howard Gardner afirma que viajar dá mais felicidade do que ganhar dinheiro, ao analisar o grau de satisfação comparado a pessoas que viajavam pelo menos uma vez por ano e as pessoas que tinham ganhado na loteria. Mas viajar não gera o mesmo efeito da psicoterapia. Contra-indico quem está em sofrimento psicológico, que apresenta algum transtorno psicológico e que necessita de psicoterapia, a utilizar a viagem para esse fim. A viagem, nesses casos, pode agravar e piorar a situação.

Em viagens, normalmente nosso foco é totalmente individual. Viajar pode ser um ato egoísta?
Não acredito que seja egoísta viajar. Viajar é um ato social. Quem viaja expande horizontes, conhece novas pessoas, amplia laços afetivos e, acima de tudo, constrói memórias. Isso porque as situações às quais somos submetidos quando estamos longe da nossa zona de conforto, ou melhor, longe da nossa casa, trabalho, amigos e rotina são capazes de nos desafiar, promover aprendizado e experiências que vão ser válidas para toda a vida.

Por que tanta gente que não se preocupa com questões sociais na sua própria cidade se aventura em um trabalho voluntário do outro lado do mundo? Alguma relação com o que os outros vão pensar?
Todos os dias pela manhã, ao sairmos de casa para o trabalho, encontramos várias adversidades sociais no caminho. Lidar com isso constantemente faz com que muitas pessoas acabem se acostumando com a realidade vivida. E muitas pessoas, quando viajam, acabam se chocando quando encontram outras realidades sociais, gerando assim a necessidade de transformá-las. As realidades podem ser exatamente as mesmas, mas aquela em que vivemos dia após dia, como uma questão de sobrevivência, ignoramos e classificamos como normais, o que leva muitos a não se dedicarem a transformar a sua própria realidade.

Surfista catarinense Chantalla Furnaletto viajou por 18 países – Foto Felipe Carneiro

Por que temos a necessidade de viajar?
Os nossos antepassados eram nômades e evoluíram quando começaram a explorar novos horizontes. É por isso que somos programados a viajar necessitamos procurar diversidade. Precisamos tanto viajar e explorar novos horizontes e diversidade que, quando não encontramos, nós a inventamos, assim como faziam os primeiros exploradores. Vários estudos apontam que é uma característica inata do ser humano.

Autoconhecimento

Muitas pessoas dizem que viajar é uma jornada em busca de autoconhecimento. Precisamos ir para um lugar exótico para descobrir mais sobre nós mesmos?
O ato de viajar acrescenta uma bagagem cultural, amplia a visão e o entendimento do mundo como um todo, traz vários benefícios à saúde mental, proporciona bem-estar e nos deixa mais inteligentes. As últimas pesquisas realizadas têm mostrado que uma viagem aumenta as conexões entre os neurônios e, consequentemente, a eficiência cognitiva. O psicólogo inglês Howard Gardner afirma que viajar dá mais felicidade do que ganhar dinheiro, ao analisar o grau de satisfação comparado a pessoas que viajavam pelo menos uma vez por ano e as pessoas que tinham ganhado na loteria. Mas viajar não gera o mesmo efeito da psicoterapia. Contra-indico quem está em sofrimento psicológico, que apresenta algum transtorno psicológico e que necessita de psicoterapia, a utilizar a viagem para esse fim. A viagem, nesses casos, pode agravar e piorar a situação.

Em viagens, normalmente nosso foco é totalmente individual. Viajar pode ser um ato egoísta?
Não acredito que seja egoísta viajar. Viajar é um ato social. Quem viaja expande horizontes, conhece novas pessoas, amplia laços afetivos e, acima de tudo, constrói memórias. Isso porque as situações às quais somos submetidos quando estamos longe da nossa zona de conforto, ou melhor, longe da nossa casa, trabalho, amigos e rotina são capazes de nos desafiar, promover aprendizado e experiências que vão ser válidas para toda a vida.

Necessidade

Por que tanta gente que não se preocupa com questões sociais na sua própria cidade se aventura em um trabalho voluntário do outro lado do mundo? Alguma relação com o que os outros vão pensar?
Todos os dias pela manhã, ao sairmos de casa para o trabalho, encontramos várias adversidades sociais no caminho. Lidar com isso constantemente faz com que muitas pessoas acabem se acostumando com a realidade vivida. E muitas pessoas, quando viajam, acabam se chocando quando encontram outras realidades sociais, gerando assim a necessidade de transformá-las. As realidades podem ser exatamente as mesmas, mas aquela em que vivemos dia após dia, como uma questão de sobrevivência, ignoramos e classificamos como normais, o que leva muitos a não se dedicarem a transformar a sua própria realidade.

Por que temos a necessidade de viajar?
Os nossos antepassados eram nômades e evoluíram quando começaram a explorar novos horizontes. É por isso que somos programados a viajar necessitamos procurar diversidade. Precisamos tanto viajar e explorar novos horizontes e diversidade que, quando não encontramos, nós a inventamos, assim como faziam os primeiros exploradores. Vários estudos apontam que é uma característica inata do ser humano.