Vingadores – Ultimato: o que você precisa saber sobre o filme

Foto: Marvel Studios

Por Andrey Lehnemann

Quando Raccoon segura a mão de Nebulosa no início do último filme de uma quadrilogia, a sensação de derrota e da necessidade de amparo são expressivas. Após um final tão trágico quanto o de Guerra Infinita, afinal, o silêncio da cena catalisa o que o passado recente deste universo cinematográfico tentou evidenciar – ambos perderam tudo. É um instante simples, onde não há palavras, mas que dá o tom do restante de Vingadores – Ultimato: um longa melancólico e, de um certo ponto de vista, de encerramentos.

Mais de dez anos atrás, Tony Stark era um bilionário e inventor genial que buscava inovações bélicas para os EUA. Seqüestrado por terroristas, ele deveria construir algo pessoal e que salvaria sua própria vida. Na necessidade de sua sobrevivência, Stark mudou seu rumo, ao compreender como parar a guerra, transformando-se num símbolo. Numa arma humana. Nas entrelinhas, o primeiro Homem de Ferro possuía uma mensagem antibélica belíssima e, ainda, construía paralelos com possibilidades de novos personagens fazerem parte do universo que começava a ser criado. Infelizmente, tirando casos pontuais, poucos filmes dos mais de 20 deste universo, desde então, conseguiam desenvolver personalidades próprias. Soando, todos eles, como a antecipação de algo diferente.

É com alívio, portanto, que os irmãos Russo buscam no último filme da equipe (até que se monte novas ramificações) um final digno e contagiante. Nos levando para as primeiras incursões de longas-metragens significativos dentro da estrutura do universo Marvel, como no caso do primeiro Avengers ou com citações do primeiro Homem de Ferro, Thor e Capitão América, os diretores são eficientes em criar a nostalgia do que foi exposto até então sem esquecer de desenvolver o curso da nova narrativa. Há cenas realmente extraordinárias no terceiro ato e que fazem jus às expectativas dos fãs que lotaram as salas de cinema.

Ultimato, ainda assim, é um filme sobre o acompanhamento de múltiplas realidades e o que cada um dos filmes anteriores significou na condição de vida de cada protagonista. Lá estão: o empoderamento feminino buscado em Capitã Marvel, a magia presente em Doutor Estranho, o caráter inclusivo de Pantera Negra, o apego ao passado de Capitão América, o sacrifício de Homem de Ferro e, por que não, o lado cômico de Guardiões da Galáxia e do último Thor. Tudo se resume a este capítulo.

Para quem espera um filme de ação ininterrupta, o novo Os Vingadores pode decepcionar, sendo uma obra que se preocupa com a base emocional de cada um de seus personagens antes de deixá-los de frente para a batalha. Até porque, em sua visão, a batalha não é algo aleatório ou que está apenas a serviço do fanservice aqui (ainda que exista), ela é um caminho que precisamos entender. O que levou Stark, Rogers, Thor, Banner, Natasha, Barton e tantos outros para aquele momento no tempo?

A primeira cena de Ultimato revela algo não convencional, partindo deste pensamento. Clint Barton brinca com sua família com arco e flecha, enquanto o mundo se transforma em pó. O quanto custa o dever? O sacrifício? Quantos estariam dispostos a transformar tudo de novo, sabendo que aquele lugar talvez não seja o melhor, mas o possível? Que as seqüelas sejam poucas, diante da alternativa? Alguns atores poderemos ter visto vestindo o manto pela última vez, verdade, porém as palavras de um deles condensa um luto honroso: toda jornada precisa de um fim.

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