Visitamos a Hungria e provamos o vinho mais caro do mundo

Fotos: Arquivo Pessoal

Não, a França não produz o vinho mais caro do mundo, o título é da Hungria. Segundo a Fortune Magazine, uma garrafa de Tokaji Essencia, equivale ao valor de 1 quilo de ouro.

​A Hungria é considerada o primeiro país a ter um sistema de classificação, sendo a vinícola Disznókó parte deste grupo inicial, em atuação desde 1772.

Os vinhos de Tokaj, conquistaram a Europa e se tornaram o drink favorito de celebridades como Peter the Great e Voltaire. As condições desta região são perfeitas para o crescimento do fungo Botrytis Cinerea. A ação benéfica deste fungo, produz as famosas uvas Tokaj Aszú, responsáveis por produzirem um dos vinhos doces mais famosos do planeta.

A região de Tokaj é considerada Patrimônio Mundial desde 2002, e produz o mais antigo vinho botrytizado do mundo.

Uma das diferenças de Tokaj é a produção de vinhos com uvas indígenas, ou seja, nativas da região, como a Furmint, Hárslevelû e Sárgamuskotály. A cidade é cheia de produtores familiares. Visitamos uma excelente casa que se chama Himesudvar. Lá você faz uma visita a cave de 500 anos de idade, recebe uma aula sobre os vinhos da região e degusta bons produtos locais.

Eles não produzem o Néctar de Tokaj, o vinho dos reis, que vale peso de ouro. Para conhecer o Tokaj Essência fomos até a vinícola Disznókó, uma das líderes da região, que possui 100 hectares de vinhedos. Seus vinhos são feitos exclusivamente com uvas próprias, separados por lote e que por ventura, podem vir a se tornar o famoso Tokaj Essência.

Não é fácil adquirir uma garrafa de Essência, elas comumente vão a leilão e podem chegar a $40 mil, como foi o caso do Royal Tokaji 2008, que foi lançado a este preço. Geralmente estas garrafas são adquiridas por colecionadores. Especialistas afirmam que o produto vale cada centavo. Note que este vinho foi o vinho mais caro da história a ser lançado. Outros vinhos podem chegar a valores maiores, porém adquirem valor com o tempo, são safras raras e excelentes, como o caso do Château D’yquem 1787 que foi vendido em 2006 por $100 mil.


Felizmente, conseguimos com a vinícola Disznókó um exemplar de 2007. Claro que não pagamos $40 mil, mas chegou a 1% disso, que já é bastante caro. Enfim, como comentamos em outros posts, um vinho neste valor deixa de ser um vinho apenas, é uma obra de arte.

 

Mas o que torna este vinho tão especial para ser considerado o vinho mais luxuoso do mundo?

Além de sua fama, a produção de Tokaj Essência é limitada, as uvas afetadas pelo fungo são colhidas a mão, não por cachos, mas por bago! Para fazer seis ½ garrafas, é preciso 700kg de uvas afetadas por Botrytis. Comparando com os vinhos regulares, esta quantidade seria suficiente para fazer 450 garrafas de 750 ml. As uvas afetadas ficam secas, sem água, e com alta concentração de açúcar.

Os detalhes não param por aí. Depois de colhidas o sumo é extraído com o peso natural das uvas, ou seja, não são prensadas, é o famoso free run juice. Ao final de uma longa fermentação, que pode chegar a 8 anos, temos um vinho que passa de 400 gramas de açúcar residual, extremamente doce e que deve ser degustado com uma colher, de cristal é claro.

Com esta alta concentração de açúcar, e teor alcoólico de apenas 1-8%, deveríamos chamá-lo de elixir, ou néctar, porém a alta acidez equilibra a doçura e seu paladar nunca fica sobrecarregado, como se estivesse comendo uma colher de mel. Sabores de pêssego, laranja, flores, maracujá, gengibre e marmelada, são facilmente identificados em um Essência.

A alta concentração de açúcar faz o vinho ter um potencial de envelhecimento de séculos, ao invés de décadas. Note que o mais popular vinho de Tokaj, o Tokaj Aszú, é feito de forma diferente. As uvas são prensadas ou feitas em forma de pasta, e diluídas em um vinho base para dissolver a doçura e ajudar na extração de sabores, além, é claro, de aumentar a produção. Já o Essência é feito somente com o néctar puro proveniente destas uvas selecionadas, sem mistura ao vinho base.

Os Tokaj que você encontra fora da Hungria, são geralmente os Aszú, que variam de número 3 a 6 Puttony. Um Puttony, é uma cesta de 25kg de uva Aszú (afetada por Botrytis), ou seja, quanto mais Puttony o vinho tiver, mais doce ele será. O vinho feito somente com as uvas Aszú, se torna o famoso, raro e caro Essência.

A melhor combinação para os vinhos Tokaj Aszú são: queijo Roquefort ou foie gras. Não para os Essência! Estes devem ser degustados sozinhos, sem nada para distraí-lo.

Podemos encontrar belos Tokaj secos e semi-secos, com as mesmas variedades que se fazem os vinhos doces, geralmente um blend das três que citamos acima, com predominância de Furmint. Os vinhos de Tokaj trazem um sabor defumado, salgado, boa acidez e bem florais.

Vale muito a pena buscar por um Tokaj para o seu próximo jantar. Que tal um Aszú para entrada, um seco para o prato principal e um Essência de sobremesa?

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