Visitamos Nashik, a “capital dos vinhos” indiana

Fotos: Arquivo pessoal

Ao meio de uma das mais interessantes trips de nossas vidas, cobrindo os principais pontos turísticos da Índia, visitamos Nashik, a “capital dos vinhos” indiana. Ela é considerada a segunda Napa Valley do mundo. Com excelentes Shiraz, Cabernet Sauvignon Chenin Blanc, Zinfandel e Sauvignon Blanc, aliadas a técnicas avançadas de vinificação, a Índia logo estará competindo de frente com os vinhos da Califórnia, Austrália e Nova Zeândia.

As temperaturas variam de zero grau, no inverno, a 43 graus, no verão. Estas temperaturas e as chuvas na época das monções, fazem alguns lugares da Índia inapropriados para o cultivo de uvas, já em outros como Nashik, formam um dos melhores terroir do planeta.

Ficamos hospedados em uma “casa na árvore”, na maior e mais popular vinícola da Índia, Sula Vineyards. Ela é tão popular que é considerada uma das vinícolas mais visitadas do mundo.

Exportando para mais de 30 países e atendendo mais de 65% do mercado nacional, Sula tenta implementar os vinhos de alta gama para o povo indiano, que ainda prefere vinhos mais doces para acompanhar suas refeições vegetarianas e picantes.

As primeiras taças de Sauvignon Blanc e Chenin Blanc da Índia saíram desta vinícola, no ano de 1999. Reciclam cada gota de água, estão caminhando para ser uma vinícola orgânica. Eles possuem painéis solares como fonte de geração de energia e usam “sky lights” uma espécie de lente que amplifica a luz solar através de aberturas no teto.

Sula é uma espécie de cooperativa, que contrata mais de 500 agricultores produtores de uvas. Mesmo assim, possuem vinhos single vineyard de vinhedos próprios.

Nossa segunda parada foi na Soma Vineyards, onde provamos Pinot Noir e Zinfandel e tivemos uma introdução aos Sauvignon Blanc da região.

A vinícola York era um dos locais que estávamos esperando muito para conhecer, pois possuem aclamados Sauvignon Blanc, estilo New Zealand. Aliás, como fãs de Sauvignon Blanc de New Zealand, podemos afirmar que os produtos da Índia vão lado a lado com os famosos vinhos de Marlborough.

A vinícola foca em vinhos secos, contrariando o mercado indiano e focada no mercado internacional. Nela podemos ver de perto o potencial dos vinhos indianos, como em blends estilo Bordeaux de Cabs-Merlot ou ainda um blend fantástico de duas uvas que representam o terroir da região, Syrah e Cabernet Sauvignon. Este vinho se chama Arros, fica até 15 meses em barricas americanas e francesas, com mínimo seis meses de envelhecimento em garrafa antes de ir ao mercado. Os vinhos indianos tem características defumadas e de especiarias.

Quem gosta de um bom Cabernet Franc da Argentina, um camernere do Chile ou um Syrah de Hermitage, vai se encantar com os vinhos da Índia.

Na York também provamos o primeiro vinho espumante 100% Chenin Blanc da Índia. Champagne que se cuide!

Outra vinícola que nos surpreendeu foi a Grover Zampa, que fabrica espumante usando o método tradicional e possue modernas técnicas de vinificação, como os “ovos” de cimento para a fermentação.

Eles possuem um Syrah com notas fortíssimas de pimenta e defumado que é utilizado perfeitamente para equilibrar os seus blends. O exemplo clássico esta na maravilha Cabernet Sauvignon-Shyraz chamada La Reserve.

E se não bastasse, nos apresentam o Chêne, um vinho complexo e top de linha da empresa, um blend de Tempranillo e Syrah que é de tirar o chapéu. Envelhecido 15 meses em barrica francesa, que agrega aromas de chocolate, baunilha e café.

Finalizamos a trip com a visita a Vallonnee Vineyards, onde provamos algumas comidas locais. É uma vinícola boutique, que desde 2009 produz vinhos estilo francês. Destaque para o 100% Merlot.

Em todas as vinícolas provamos Chenin Blanc, uma das uvas de destaque da Índia, que quando passado por barrica revela intenso aroma de tutti-frutti, que mesmo os vinhos sem açúcar residual parecem ser um pouco doces.

Enfim, os vinhos da Índia nos surpreenderam! Apesar dos vinhos doces ainda atenderem o mercado local, excelentes produtos secos saem das vinícolas para serem apresentados ao mundo. Logo logo, você poderá ter um Sauvignon Blanc indiano ao lado de um de New Zealand em sua adega.

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