Você conhece o vinho doce mais famoso do mundo? Apresentamos o Chateau d´Yquem

Foto: Divulgação

Quando pensamos em vinho doce (aliás, a melhor combinação para o queijo Roquefort), não podemos deixar falar do Chateau d´Yquem, um vinho Premier Cru Superieur, da região de Sauternes, França.

Este vinho tem importância histórica, pois foi o único produto de Sauternes a atingir esta categoria, na famosa classificação de 1855.

Uma das características principais deste vinho de Sauternes é sua capacidade de envelhecimento.

Acidez relativamente alta, que equilibra sua doçura, se fecham em um vinho concentrado, que atinge o ápice de sabor em 20 anos após seu engarrafamento, podendo ser conservado por um século mais.

Tivemos o prazer de visitar esta vinícola e conhecer de perto suas vinhas, assim como o processo de produção desta iguaria.

Em condições normais, uma planta gera em torno de uma garrafa de 750 ml de vinho. Para a fabricação do Chateau d’Yquem, uma planta produz uvas para apenas 1 taça de vinho. Mas como isso acontece?

Para conseguirmos um vinho com alta concentração de açúcar, temos 4 opções:

1 – Fortifica-lós, ou seja, agregar álcool para pararmos a fermentação e deixarmos algum açúcar residual (é o caso dos vinhos do Porto);

2 – Colheita tardia, onde as uvas ficam mais tempo nas vinhas, apurando seus açúcares e deixando o bago de uva mais concentrado;

3 – Secagem ao sol, neste caso as uvas são colhidas e secas ao sol, estilo secagem de café. Obtemos neste processo um tipo de uva passa, com alto teor de açúcar e baixa quantidade de água (Processo pelo qual se produz o Vin Santo, de Santorini);

​4 – Afetadas por fungos, finalmente temos as uvas afetadas por Botrytis cinerea, que em condições ideais de humidade, produzem o Pourriture noble (em Francês), ou Noble Rot (em Inglês), que afetam as uvas de forma positiva no processo de vinificação dos vinhos doces. (É o caso do Chateau d´Yquem).

A uva afetada por Noble Rot fica assim:
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Estes são os chamados vinhos botritizados.

Note que nem todos os cachos ficam 100% afetados ao mesmo tempo, por isso a colheita é feita uva por uva, bago por bago. Os trabalhadores precisam fazer a colheita por etapas, 3 vezes em média. Eles devem voltar aos vinhedos em 3 diferentes períodos, esperando que as uvas, pouco a pouco, sejam afetadas pelo fungo, pois precisam ser colhidas no momento ideal.

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Isto eleva muito o custo operacional, sem contar a baixa produção que as uvas com menos água entregam.

Uma garrafa de Chateau d’Yquem, não sai por menos de €350 Euros, na própria vinícola.

O recorde de preço para um Chateau d’Yquem, foi a “bagatela” de €75.000 Euros, por uma safra histórica de 1811, se tornando a garrafa de vinho mais cara da história. Restam menos de 10 garrafas deste exemplar pelo mundo. Quando esta safra foi degustada por Rober Parker, em 1966, obteve a perfeição, conseguindo os tão buscados 100 pontos.

Em 2006, uma degustação vertical de 135 anos (1860-2003), contendo cada uma das safras, foi vendida por $1.5 milhão de dólares, por The Antique Wine Company, em Londres, sendo uma das degustações mais caras da história.

Provamos esta delícia, safra 2016, e você deve fazer o mesmo algum dia, se é que já não provou.
Este vinho é feito com 75% Semilion e 25% Sauvignon Blanc. Possue cor de palha, que com o tempo adquirirem cores de caramelo, escurecendo com o passar dos anos.

​Veja este 1937, parece um vinho tinto.

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Damos 3 dicas de harmonização: Queijo Roquefort, Foie Gras e amêndoas caramelizadas.

A visita ao Chateau é fantástica, com história que remete ao ano de 1477. O detalhe neste período de existência do Chateau, é que em Vintages não tão boas, todas as uvas são vendidas anonimamente e nenhum vinho é produzido por Chateau d’Yquem. Isto aconteceu em 10 vezes no século 20, sendo a última em 2012.

Este “néctar”, possui 120 a 140 gramas de açúcar por litro. Este açúcar pede pratos bem salgados, como queijos azuis ou sobremesas mais doces, como pudim de leite.

Salud!
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