Você sabia que um dos vinhos brancos mais famosos do mundo é feito com uvas tintas?

Vinhos tintos, brancos, rosés e alaranjados: como são feitos? Onde está a diferença?

Fotos: Divulgação

Olhando para os vinhos, parece claro que tintos são feitos com uvas tintas e brancos com uvas brancas, certo? Errado! Nem sempre é assim. Tudo depende das técnicas de vinificação. O segredo de todo o processo está nas cascas e por quanto tempo o suco de uva ficará em contato com elas.

No processo de vinificação dos vinhos brancos, as uvas têm suas cascas rompidas, prensadas e somente o suco é transferido para os tanques de fermentação, no qual permanecem em temperatura controlada em torno de 12°C a 22°C, preservando assim os delicados aromas da fruta. Este processo de fermentação leva de duas a quatro semanas.

No caso dos vinhos tintos, as uvas têm apenas as suas cascas rompidas e não são prensadas nesta etapa, diferente dos vinhos brancos. Assim, a fruta inteira é transferida para os tanques de fermentação, deixando o suco de uva em contato direto com as cascas.
Este processo, que é peça chave para a extração de cor e taninos, leva em torno de duas semanas ou mais para vinhos ricos como os top de Bordeaux, ou apenas cinco dias no caso dos vinhos mais leves, como os Beaujolais.

A fermentação dos tintos é feita em temperaturas mais elevadas que a dos brancos, algo em torno de 20°C a 32°C.

Após a fermentação, aí sim a uva é prensada e o vinho resultante é chamado de press wine. Um vinho forte, rico em tanino e que pode ser misturado ou não ao vinho que ficou no tanque chamado de free run wine, depende da necessidade e estilo do winemaker.

Para obtermos os rosés, a técnica mais comum é usar o mesmo processo dos vinhos tintos, porém deixar as cascas em contato com o suco por um curto período, algo em torno de 12 a 36 horas, extraindo assim apenas a cor necessária para a obtenção do rosé. Um exemplo famoso é o White Zinfandel, que é feito desta forma.

Bom, acreditamos que você já está um especialista em cores, então podemos partir para o modo mais avançado.

Temos alguns vinhos com uvas brancas, feitos com o método de vinificação dos tintos, são os chamados orange wines, ou os vinhos laranja.

Assim como uvas tintas usadas para a fabricação de vinhos brancos, neste grupo temos as famosas Champagnes!

Sim, Champagnes são feitas com uvas tintas e brancas, em sua maioria as tintas Pinot Noir, seguidas de Chardonnay e Pinot Meunier.

Se você pegou o processo dos Rosés já deve ter matado a charada. Para obtermos um vinho branco, através de uvas tintas, não podemos ter contato com as cascas. Então a uva é gentilmente prensada e apenas o suco vai para os tanques de fermentação, assim obtemos um vinho branco sem a extração das cores da casca.

Algumas observações nos rótulos de Champagne:

A frase Blanc de Blancs no rótulo indica que a Champagne foi fabricada apenas com uvas brancas, geralmente Chardonnay.

Se você encontrar Blanc de Noirs, mostra que foi feita somente com uvas tintas, geralmente Pinot Noir ou um blend com Pinot Meunier.

Se não vier especificado, é mais comum que foi feito um blend, uma mistura das três uvas.

Mas e o vinho laranja?

Imaginem uvas brancas, usando o processo de fermentação dos tintos, deixando as cascas em contato com o suco. Resultado: orange wine!

Aqui temos um vinho difícil de ser apreciado, pois ele traz consigo uma carga de taninos que não esperamos encontrar nos vinhos brancos. Porém, se nos preparamos psicologicamente para encarar o produto, podemos ter surpresas agradáveis.

Note que não somente as cascas transmitem cor ao vinho, o processo de maturação em barris de carvalho e o próprio envelhecimento em garrafa alteram a tonalidade do produto.

Tivemos a oportunidade de conferir de perto todos estes processos em nossa estadia de sete meses pela Europa, e temos o prazer de compartilhar com vocês nossos estudos, trazendo todos mais próximos ao mundo dos vinhos.

Mas e aí? Que tal um orange wine no próximo jantar entre amigos? Você já pode dar uma aula!

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