Volta à Ilha: a beleza das praias de Florianópolis é o ponto alto da corrida

Trecho da prova enfrentado pela equipe de Ricardo Sardá (Foto: Divulgação)

Uns dizem que Florianópolis tem 42 praias. Outros afirmam que são cem. Com praias escondidas entre a natureza, é difícil mesmo listar as praias existentes em Florianópolis, imagina, então, conhecer todas elas. E é justamente pela oportunidade de passar pela maioria delas, e ainda conhecer alguns trajetos únicos da ilha, que quatro mil atletas se inscreveram na corrida Volta à Ilha, que acontece dia 13 de abril.

A equipe de Julio Coelho sai do interior de São Paulo, na cidade de Vinhedo, para correr em Florianópolis. São 14 anos fazendo esse percurso para participar de uma das provas mais bonitas da capital catarinense.

— Essa é uma das principais provas do ano que a gente participa. Desde outubro a gente começa a se envolver com os treinos para em abril todo mundo participar. É uma dedicação completa — afirma o treinador Julio Coelho.

O mesmo faz a equipe de David Obata, que sai da capital paulista para participar do revezamento pelas praias florianopolitanas. São Paulo é o estado mais participativo do Brasil na Volta à Ilha, somando 25% do total de vagas.

— Já são 15 anos que participamos da prova e a organização é sempre impecável. O ponto alto é a natureza. Mesmo quem já conhece Florianópolis muitas vezes não consegue passar em trechos que a prova proporciona — comenta o treinador, destacando o diferencial off-road do revezamento.

Esse é o principal propósito da Volta à Ilha, que tem trechos montanhosos, trilhas, asfalto, paralelepípedo, mata e ainda 20 praias, incluindo dunas. A prova tem 18 postos de troca, com distâncias entre 4km e 16km em diferentes graus de dificuldade e vans, carros e motos também auxiliam no transporte dos atletas neste percurso. Além dos desafios dos percursos, a natureza também é responsável por dificultar a prova.

A complexidade da prova é o que atrai os competidores (Foto: Divulgação)

— Eu acho que Floripa enriquece qualquer nível de corredor e de atleta. É uma corrida que se modifica a cada ano, a gente nunca sabe o que vai encontrar porque sempre tem um diferencial, cada percurso muda por natureza própria. E num ano tem muito sol, no outro muita chuva… — comenta Julio.

 

140 km em revezamento

A Volta a Ilha é a maior corrida de revezamento por equipe em extensão da América Latina, com 140 km, e 70% dos participantes são de fora do Estado. Entretanto, mesmo quem mora em Florianópolis precisa se preparar para o que vai encontrar no trajeto. A equipe do técnico Ricardo Sardá treina na capital catarinense e vai participar da prova com 83 atletas, que se surpreendem com a corrida todos os anos.

— Sem dúvida, por mais que esse seja nosso território, nossa “pista” de treino, é sempre deslumbrante percorrer os cantinhos da Ilha. Os treinamentos são bem específicos e determinantes no resultado final da equipe e a questão técnica de cada atleta é muito importante.  Trilha para os atletas acostumados com o trail run e terrenos planos e asfalto para os mais velozes e especialistas em pista. Escolhidos os atletas e distribuídos em seus percursos, planejamos os treinamentos específicos para cada trecho da prova — destaca Ricardo Sardá.

Serão percorridos 140 km ao redor da Ilha de Santa Catarina com equipes de dois, oito ou 12 corredores, classificados em nove categorias.

“É uma prova diferente, vibrante, desafiadora, que exige estratégia e planejamento na escalação de cada membro da equipe”, comenta Carlos Duarte – criador e organizador da Volta à Ilha (Foto: Divulgação)

Percursos

A saída será do trapiche da Avenida Beira-Mar Norte e segue fácil até o bairro João Paulo.  Depois, em direção a SC-401 inicia o percurso difícil. O ritmo se torna moderado entre as praias de Santo Antônio de Lisboa, Daniela e Jurerê Internacional. A Cachoeira do Bom Jesus para a Praia Brava já é considerado um trajeto muito difícil. O nível da resistência diminui um pouco ao passar pelas praias Brava e Ingleses.

Em seguida, a corrida se intensifica com outros percursos muito difíceis, como a praia do Santinho, Moçambique, Joaquina, Novo Campeche e Armação. O Morro do Sertão é ponto mais difícil e temido da prova. Após, os corredores se dirigem à Tapera, Via Expressa Sul e o ritmo diminuiu próximo à chegada, no trapiche da Avenida Beira-Mar Norte.

— A gente corre abraçando a natureza, realmente Floripa é uma das melhores provas que eu tenho no decorrer de mais de 20 anos como treinador — finaliza Julio Coelho.

O caminho para completar os 140 km. Foto divulgação

Como Floripa é, inclusive o trânsito

Por mais que passe por praticamente todos os cantos da Ilha, não haverá bloqueio do trânsito durante a realização da prova. A largada e chegada na Beira-Mar Norte, por exemplo, será feita por ciclovias e calçadas. A intenção da organização é que Florianópolis funcione normalmente durante a prova. O que pode ocorrer é uma ou outro interrupção do fluxo de veículos para que um participante atravesse uma rua. Nestes casos, a tarefa é da Polícia Militar, Guarda Municipal e Polícia Rodoviária Estadual.
Prais do Santinho. Foto Betina Humeres
Isso ocorre em alguns trechos, como no bairro João Paulo, no período da manhã, e nas proximidades do túnel Antonieta de Barros, já na parte final da prova. Assim como os corredores, os veículos de apoio também têm percurso definido para circularem, quase todo conforme o que determina o fluxo. A única parte bloqueada ao trânsito de veículos é o recuo do Trapiche da Beira-Mar Norte, a partir da noite de quinta-feira, para montagem de estrutura da prova, até domingo. O evento tem autorização da Prefeitura de Florianópolis e Deinfra.

Programação inicia na quinta

Aos corredores, a programação inicia dois dias antes do revezamento. Na tarde de quinta-feira, no Majestic Palace Hotel, começam a ser entregues os kits aos participantes. Ação que se estende na sexta-feira, com grande parte dos atletas de fora do estado. Na noite da véspera está marcado o jantar no local.
No sábado, os primeiros atletas começam a largar às 4h15min. As partidas vão até às 7h15min. A cada 15 minutos um bloco de 30 equipes inicia a prova. A previsão é que as primeiras equipes cheguem ao Trapiche da Beira-Mar Norte a partir das 15h. Às 20h30min, ainda deve ocorrer a chegada de competidores.
Assim que cruzam o portal de chegada, os atletas recebem as medalhas de participação. No entanto, os campeões serão reconhecidos no dia seguinte. No domingo às 9h30min está marcada a cerimônia de premiação, também no Majestic Palace Hotel.
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