Western: uma das fortes tendências na moda inverno 2019

Saia A Teen para Danna e blusa Andrea Bogosian para Dana, bota acervo e cinto Dior. Foto Dari Luz, especial

Estar na Itália é uma excelente oportunidade para se atualizar em tudo o que diz respeito à moda e design. E é daqui que estou escrevendo a minha coluna deste fim de semana para a Revista Versar, fotografada há duas semanas no Haras Duas Meninas, em Floripa.

Recentemente ocorreu aqui em Milão o Salone del Mobile, super aguardado no setor de móveis e arquitetura mundial, com iniciativas que também foram dedicadas ao mundo fashion. Como de costume, inúmeras marcas participaram ativamente do evento, mostrando sua estética através de exposições, performances e dando vida a novos produtos em colaboração com nomes do design contemporâneo. Um calendário repleto de atividades que se espalhou por todos os cantos da cidade.

Os eventos Fuorisalone, como são chamados, são exposições que animam toda a cidade de Milão durante a semana e reúnem nomes da moda como Gucci, Etro, Filosofia, Louis Vuitton, Dolce & Gabbana, Missoni, entre outros.

A Gucci , por exemplo, mostrou uma coleção idealizada pelo diretor criativo Alessandro Michele. No acervo estavam móveis e acessórios de decoração, todos com motivos e símbolos retirados do ambiente visual de Michele. Ele celebrou a natureza com suas inspirações baseadas na flora e na fauna, mostradas nas cerâmicas pintadas à mão, alças em forma de serpente, castiçais com estampas florais, tigres desenhados em almofadas bordadas e paredes cobertas com papel de parede colorido de vinil ou seda.

Cowgirl moderna

Casaco acervo, blusa e saia Galiani, botas Paula Torres, cinto Dior e Chapéu Zara. Foto Dari Luz, especial

O tema desta semana é uma das tendências fortes do inverno 2019, a Western. Embora o estilo ainda seja muito associado aos cantores country, de vez em quando aparece na moda com nova roupagem. Madonna já exibia jeans, chapéu, camisa xadrez e botas no clipe Don’t tell Me, em 2000, nos primeiros momentos da década, em que todas as garotas da nova geração quiseram adotar o visual forever.

Versão refinada

Vestido Fernè, pulseira Hermès, bota acervo e chapéu Zara. Foto Dari Luz, divulgação

O mundo da moda, num passado distante, acordou com uma versão mais refinada do estilo, graças a Marilyn Monroe. A icônica loira posou em uma sessão de fotos, com tema para o Dia dos Namorados, em look duas peças numa versão cowgirl, no início de sua curta carreira. Kitsch e divertido, o estilo foi adorado como traje de fantasia pelas próximas três décadas, até que a atriz Raquel Welch usou o mood em outro filme de 1970. Chegou ao pico na era disco, e as botas de cowboy surgiram como uma escolha sólida para dançar à noite toda com Grace Jones no Studio 54. Os frequentadores de clubes combinavam seus calçados com calças quentes e vestidos profundos em decote em “v”.

Diana, a princesa de Gales, mostrou a referência no final dos anos 1980. Ela usou uma bota de cowboy marrom, um boné de beisebol, blazer e jeans para uma partida de polo em Windsor. A roupa foi considerada controversa na época, mas desde então abriu caminho para outros membros da família real britânica romperem com a tradição e serem fotografados com jeans e looks mais descontraídos. Em 2014, o texano nativo Tom Ford reinventou a bota de cowboy para a alta moda. O designer revelou uma visão glamourosa do clássico americano num desfile em Londres.

Garota ocidental

Bota Gucci, chapéu Zara, calça e blusa Fernè e brincos Gabriela Faraco. Foto Dari Luz, especial

Em Nova York, Milão, Londres e Paris recentemente vimos algumas coleções inspiradas no Velho Oeste chegando às passarelas como tendências de moda. Isabel Marant sempre dedica grande parte das suas peças ao estilo em particular, enquanto muitas outras grifes optaram por trazer jaquetas e vestidos com franjas, botas, cintos rústicos de metal e cachecóis com estampa de animais. De Maison Margiela a Saint Laurent , não há como negar, as botas deram uma palhinha, assim como todo o estilo e a vibe do visual western. Desde então, a tendência ganhou impulso em todos os lados do mundo, chegando às marcas mais comerciais.

A bota cowboy entrou e saiu de moda várias vezes desde o final da década de 1940, quando a atriz Wendy Waldron posou com um par no comprimento da panturrilha, em uma cena de um velho filme de Hollywood. Foram originalmente projetadas para verdadeiros cowboys americanos que cuidavam de gado com referências resgatadas do modelo britânico Wellington, ou também na marca Hunter como referência, aquela que falei aqui na última coluna, lembra?

A história conta que o italiano Sam Lucchese imigrou da Sicília com seus irmãos e viu uma lacuna no mercado local do Texas em busca de botas duráveis e econômicas para os trabalhadores das fazendas. A marca foi adquirida pela Blue Bell Corporation – a matriz para outro produto básico americano, a Wrangler – em 1970, mas um par clássico de Lucchese permaneceu como o padrão da indústria desde então. Diz a lenda que o cantor de voz suave Bing Crobsy foi uma das primeiras celebridades a solicitar um design personalizado e que John Wayne era um cliente leal por mais de 50 anos.

Geração boêmia

Vestido Galiani, casaco de franjas Andrea Bogosian para Danna, chapéu Zara. Foto Dari Luz, especial

A marca catarinense Galiani está completando quatro anos em 2019 e acaba de ganhar espaço no cenário nacional. As peças, elaboradas pela estilista Rafaela Galiani, estarão em multimarcas em São Paulo, Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Brasília.
A Coleção deste inverno foi batizada de Bohemian e representa o estilo de vida boêmia dos anos 1960 e 1970, onde as pessoas andavam pelo mundo sem muito compromisso ou laços permanentes.
– Foi uma geração que respirava música, arte e literatura, sem deixar de lado o espírito livre e aventureiro, sem julgamentos para a liberdade e o amor – diz a estilista.

Do Rio para Floripa

Vestido Marie Lafayette, lenço Louis Vuitton, bota acervo e chapéu Zara. Foto Dari Luz, especial

A estilista Marie Lafayette e a empresária Paula Lindenberg abriram um atelier com roupas de noivas e festas em Jurerê internacional. O grande diferencial da loja de Jurerê é a linha Day Wear com looks prontos em alfaiataria e acabamento diferenciado.

Há 12 anos trabalhando na área, a estilista é formada em moda na Esmod Paris, uma das mais renomadas escolas em âmbito internacional e trabalhou em diversos países na área de Haute Couture, como França, Espanha, Itália e Estados Unidos.

Além das noivas tem no currículo trabalhos de grande porte em produções para novelas e seriados da Rede Globo. A empresária Paula Lindenberg era professora de hipismo e jornalista de formação, porém nunca atuou na área.

Participaram deste editorial:

Produção executiva, produção, styling, pesquisa de moda: Lise Crippa

Modelo: Mariana Fernandes– DN Models

Fotos e tratamento de fotos: Dari Luz

Produção de cena: Larissa Maldaner

Beleza: Larissa Maldaner

Agradecimento: Haras Duas Meninas

Marcas e lojas participantes: A Teen, Andrea Bogosian, Dior, DANNA Boutique, Galiani, Gucci, Hermès, Fernè, Gabriela Faraco, Marie Lafayette, Louis Vuitton, Paula Torres

 

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