“Xis Marielle”: policial e advogado fazem piada sobre hambúrguer Maria da Penha citando vereadora morta

No Facebook, eles brincaram com estabelecimento que deu o nome da lei à de combate à violência contra a mulher a sanduíche e listou como ingrediente "repOLHO ROXO"

Em uma publicação em um grupo do Facebook nesta quinta-feira (29), um policial militar e um advogado fizeram piada sobre a hamburgueria da cidade de Salto (SP),  que nomeou um sanduíche de Maria da Penha e listou seus ingredientes com destaque para “repOLHO ROXO”, com as letras destacadas em maiúsculo e cor roxa.

“Quero o X-Marielle“, escreveu o cabo da Polícia Militar Jonatas Guedes, que é um dos moderadores do grupo Conecta Salto!, que reúne 14,5 mil membros na rede social, se referindo à vereadora do Rio de Janeiro que foi assassinada em março.

Guedes foi respondido pelo advogado Flavio Roberto Garcia, que é vice-presidente da OAB de Salto e também moderador do grupo. “Muitas azeitonas?”, escreveu Garcia, sendo que “azeitonas” é uma gíria conhecida como sinônimos de projéteis — Marielle morreu com quatro deles na cabeça.

A conversa entre os dois terminou com uma tréplica do agente policial: “Não me recordo com quantas azeitonas vem”, publicou o policial.

Contrapontos

Procurada pelo jornal O Globo, a OAB de Salto informou, em nota assinada pelo presidente Paulo Miranda Campos Filho, que não se manifesta sobre “interações pessoais” nas redes sociais e que se limita a responder “denúncias feitas de forma expressa” e encaminhadas à Comissão de Ética e Disciplina com a condição de que o profissional tenha cometido “algum deslize de ordem ética ou disciplinar no exercício de sua profissão”.

O advogado Flavio Garcia escreveu um pedido de desculpas em seu perfil no Facebook, em que escreveu que “brincadeiras indignas e desrespeitosas à relevante causa de Marielle Franco não devem, de forma alguma, ser aceitas”.

A Polícia Militar de São Paulo classificou o comentário do cabo Jonatas Guedes como “de mau gosto e desnecessário” e afirmou, em nota, que não compartilha do teor da fala. Apesar da reprovação, a corporação disse também que “não proíbe a manifestação pública de seus integrantes” e que a publicação é de inteira responsabilidade do policial.

Diante da repercussão negativa, o hambúrguer foi rebatizado pelo estabelecimento como “Censurado” e passou a ser identificado como “um lanche com repolho”.

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